Sem apps. Recarga por aproximação já começa a funcionar

Diz-me com quantos apps você recarrega, e te direi por onde andas. Não tem jeito, sempre que você chega a uma loja ou a um supermercado, sempre está faltando aquele aplicativo para te ajudar (atrapalhar). No mundo dos carros elétricos, a história não é muito diferente disso, pois cada marca, região ou estação adota uma maneira de se pagar para carregar.

Estima-se que há pessoas que estão planejando o roteiro conforme os tipos de aplicativos aceitos no caminho. Ou seja, o problema não é mais carregar, mas sim recarregar da maneira mais conveniente.

Rumo ao 1 milhão, só com a queda das barreiras da recarga

Davi Bertoncello, cofundador da Tupi Mobilidade, explica que o Brasil está prestes a romper a barreira do milhão de carros elétricos e que, agora, mais do que nunca, o país atravessa um ponto histórico, deixando para trás o status de nicho experimental. Porém, na visão do negócio, para que a transição seja sustentável, foi necessário abandonar a complexidade e se integrar organicamente ao cotidiano do brasileiro. Ou seja, ter carregadores espalhados pelo país, mas que aceitassem todos os modelos de pagamento.

Meios de pagamento mais eficientes e mais rápidos

Já Júlio Ramos, diretor executivo de Inovação da Visa do Brasil e head do LabGarage, hub de inovação em mobilidade urbana da Visa no Cubo Itaú, explica que foi identificado um desafio recorrente para os usuários de eletropostos. Ele conta que, dessa necessidade, excesso de apps exclusivos, nasceu um ecossistema capaz de quebrar essa barreira.
O executivo lembra que as observações de campo revelaram que motoristas de aplicativo, por exemplo, possuem “paciência zero” para tecnologias complexas. Natural, afinal, para quem usa o carro como ferramenta de trabalho, cada minuto perdido em um aplicativo mal acabado ou em cadastros extensos representa perda direta de renda. Vale destacar que o tempo médio de uma recarga rápida total é de 30 minutos.
Outro exemplo vivo dessa amostra é apontado pela busca por conveniência. Ou seja, percebeu-se que em academias, os usuários “carregam duas vezes” por dia o próprio carro. Uma vez pela manhã e outra no fim do dia, e, lógico, sempre no momento em que estão frequentando a academia, com o veículo no estacionamento sendo abastecido.

Parceria entre empresas de ponta

De tantas pesquisas e amostras, a Visa enxergou a necessidade e buscou parceiros para colocar uma solução nos carregadores. A Tupi, por exemplo, ficou com a integração e comunicação, enquanto a RM Ecocargas passou a oferecer a infraestrutura necessária para testes; mais de 30 eletropostos já estão aptos a funcionar da nova maneira em postos de gasolina.

Para que uma transação de cartão funcione dentro de um carregador de carro elétrico, toda a solução, do terminal de pagamento até o banco autorizador, precisa seguir padrões internacionais rígidos e estar certificada de ponta a ponta.

A transação percorre um caminho longo em questão de segundos: sai do terminal instalado no carregador, passa pela Tupi, segue para a Visa, vai até o adquirente (empresas como Cielo, Rede e Getnet, responsáveis pelas maquininhas) e, por fim, chega ao banco emissor, que autoriza a operação.

A origem dessa inovação revela uma lição valiosa sobre o mercado brasileiro. Inicialmente, buscou-se uma solução via hardware, com parceiros chineses, mas o “momento de descoberta” veio ao perceber que o problema não era a falta de terminais, e sim a ausência de uma camada de inteligência.

A solução final dispensou a instalação de novas “maquininhas” em cada totem, concentrando-se em três frentes: pagamentos por aproximação diretamente via backend, um sistema totalmente agnóstico de hardware, capaz de operar em qualquer estação de recarga existente sem substituição de componentes, e o posicionamento da Tupi como uma plataforma de serviços, e não apenas como fornecedora isolada de software.

Solução é boa para o dono do posto?

Para o CPO (Charge Point Operator), essa mudança é disruptiva. Ao facilitar o pagamento, a taxa de utilização dos pontos de recarga sobe vertiginosamente, garantindo um payback mais rápido dos ativos. Em um mercado em que o hardware está se tornando uma commodity, o valor real migrou para a fluidez da transação e a saúde do modelo econômico, aproximando a recarga da conveniência de um posto de combustível convencional.
Essa abertura, aliada à tecnologia de recarga simplificada da Tupi e Visa, transforma o ponto de recarga em um ativo flexível. Condomínios e pequenos comércios não serão apenas locais de abastecimento, mas players ativos em um mercado livre, em que a energia pode ser negociada e gerida com inteligência. É o ambiente perfeito para o surgimento de novos modelos de negócio que integram mobilidade e eficiência energética residencial.

Obstáculos reais e as respostas tecnológicas:

Obstáculo do Usuário
Solução Proposta
Excesso de aplicativos e cadastros obrigatórios    
Pagamento direto (Aproximação/Pix) sem necessidade de app
Desinformação e dificuldade de localização
Educação de recarga e visibilidade em tempo real
Resistência a vouchers e cupons complexos
Transação direta, transparente e instantânea
Ansiedade de recarga em trânsito
Pontos em locais de conveniência (supermercados e academias)
Portanto, a tecnologia cumpriu seu papel mais nobre: deixou de ser um obstáculo técnico para se tornar uma ponte invisível. Ao remover a fricção financeira e garantir a segurança, garantimos que o motorista comum não precise ser um especialista em tecnologia para dirigir um carro elétrico. O futuro da eletromobilidade brasileira não é mais uma promessa de longo prazo; é uma realidade fluida, segura e, acima de tudo, descomplicada.

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