Olha quem chegou para trabalhar: a GE Vernova 7HA.02

GE Vernova

A Eneva e a GE Vernova Inc. (NYSE: GEV) anunciaram o início da operação comercial da usina termelétrica (UTE) Azulão I. Localizada no município de Silves, a cerca de 330 quilômetros de Manaus. A planta possui compromisso de fornecimento de 295 megawatts (MW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O início marca a conclusão da primeira fase do Complexo Azulão, projeto integrado da Eneva formado pelas usinas Azulão I e Azulão II. A entrada em operação da planta garante o abastecimento de energia no país.

Tecnologia e resposta rápida para a rede elétrica

No coração da UTE Azulão I está a turbina a gás de alto desempenho 7HA.02, desenvolvida pela GE Vernova, acoplada a um gerador do modelo H65. O equipamento de ponta destaca-se pela alta eficiência e pela capacidade de resposta rápida (rampa de acionamento ágil). A característica é fundamental para equilibrar oscilações no sistema e dar suporte à expansão de fontes intermitentes, como a eólica e a solar.

Inovação “Reservoir-to-Wire” e desafios na Amazônia

A UTE Azulão I gera eletricidade no próprio local onde produz o gás natural, reduzindo custos e otimizando a logística. Entretanto, a integração da usina ao Linhão de Tucuruí (corredor de transmissão Tucuruí–Macapá–Manaus), uma das linhas de alta tensão mais longas do planeta, com 1.850 quilômetros de extensão, exigiu soluções de engenharia. Para evitar instabilidades no sistema elétrico, a usina utiliza um filtro que bloqueia a Ressonância Subsíncrona (SSR) e um relé de estresse torsional, garantindo a estabilidade da operação.

Além do fornecimento tecnológico, o contrato assinado entre as companhias prevê um acordo de serviços de manutenção com duração de 15 anos, executado pela GE Vernova, visando assegurar elevados índices de disponibilidade operacional.

 

A planta possui compromisso de fornecimento de 295 megawatts (MW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN)

Como funciona?

O funcionamento baseia-se no ciclo termodinâmico de Brayton (o mesmo princípio dos turbojatos da aviação), dividido em três etapas principais:

1. Admissão e compressão de ar: A turbina aspira grandes volumes de ar atmosférico e os comprime em altíssima pressão.

2. Combustão: O gás natural (ou mistura de gás com hidrogênio) é injetado na câmara de combustão junto com o ar comprimido e queimado em temperaturas altíssimas (acima de 1.500 °C).

3. Expansão e Geração de Energia: os gases quentes em alta expansão fazem as pás da turbina girar a 3.600 RPM. Esse eixo giratório aciona um gerador elétrico (como o modelo H65 citado no projeto Azulão I), convertendo a energia mecânica em energia elétrica.

Outras aplicações da turbina

A turbina a gás GE 7HA.02 funciona como uma “âncora de segurança”, injetando grandes volumes de energia na rede em questão de minutos para evitar apagões, modelo já adotado no Brasil (nas usinas Azulão I e Porto de Sergipe I), nos Estados Unidos e no México.

Além disso, a tecnologia atende cada vez mais grandes infraestruturas industriais e data centers. Como os servidores dependem de eletricidade 24 horas por dia, as usinas equipadas com a turbina 7HA.02 garantem maior estabilidade no fornecimento de energia.

A 7HA.02 também substitui antigas usinas termelétricas movidas a carvão. Ao migrar do carvão para o gás natural, as usinas podem reduzir as emissões de dióxido de carbono em até 60%.

Por fim, a turbina integra sistemas de cogeração e aquecimento urbano (district heating). Em regiões de clima frio, a planta gera eletricidade e aproveita o calor residual para aquecer a água, que segue pelas tubulações de calefação. Esse modelo já opera em localidades como Naepo e Anyang, na Coreia do Sul.

 

Termelétrica a etanol: ela polui menos ou é apenas marketing verde?

Amazon vai ter usina que pode ser maior poluidora dos EUA

compartilhe:

Twitter
LinkedIn
WhatsApp