Curitiba prepara uma das maiores intervenções de infraestrutura urbana de sua história recente. A capital paranaense quer retirar do ar e levar para debaixo da terra um elemento que há décadas domina a paisagem das cidades brasileiras: o emaranhado de fios elétricos e de telecomunicações.
O plano prevê o enterramento de 120 quilômetros de rede em áreas estratégicas do município, incluindo o Centro Histórico. O custo do investimento é de R$ 1,2 bilhão, média de R$ 10 milhões por quilômetro.
Quem vai pagar a conta?
A iniciativa será custeada com recursos do tesouro municipal e de investidores. A Prefeitura de Curitiba está estruturando uma Parceria Público-Privada (PPP).
A modelagem técnica e financeira do projeto conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Companhia de Parcerias de Curitiba (PARS), estatal municipal criada especificamente para gerenciar projetos de concessão e PPPs na cidade. A proposta foi detalhada a empresários e representantes do setor produtivo durante encontros na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Resiliência climática e segurança energética
Embora o impacto visual seja imediato, a gestão municipal enfatiza que a motivação principal vai além da estética. Com o aumento da frequência de tempestades severas e vendavais associados a mudanças climáticas, redes aéreas tradicionais ficam constantemente expostas à queda de árvores e galhos, provocando apagões prolongados e paralisação dos serviços de internet. A infraestrutura subterrânea blindará os cabos contra essas intempéries, garantindo maior estabilidade no fornecimento de energia e comunicação.
Fim do furto de cabos, incêndios e calçadas bloqueadas
Outro gargalo histórico que o projeto pretende combater é o furto de fiação de cobre e a proliferação de fios irregulares e caídos, que geram riscos frequentes de choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios em postes. A retirada dos postes também trará ganhos diretos para a mobilidade urbana:
Desafio técnico e precedentes na cidade
Substituir a fiação aérea não é novidade em Curitiba, mas a escala atual é inédita. A cidade possui trechos com fiação subterrânea instalados ainda nos anos 1960 e em reurbanizações pontuais, como a realizada na Rua Comendador Araújo em 2014. No entanto, a nova empreitada de 120 km representa o maior avanço planejado do gênero no país.
Os principais desafios da obra envolvem a escavação em vias de alto tráfego sem paralisar o comércio e o trânsito local, além de mapear interferências no subsolo (como galerias de água, esgoto e gás) e garantir a transição ordenada entre as operadoras de telecomunicações e a nova concessionária subterrânea.
A proposta encontra-se em fase final de estudos de viabilidade técnica e econômica antes de seguir para consulta pública e posterior leilão de concessão na Bolsa de Valores.
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