USP cria modelo para atrair bilhões à energia

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O mercado brasileiro de títulos sustentáveis movimentou mais de R$ 60 bilhões em 2025, consolidando o país como um dos principais destinos para investimentos voltados à agenda ambiental. Desse volume, cerca de 47% foi destinado ao setor de energia elétrica, que liderou a emissão desses ativos e reforçou seu protagonismo na transição energética.

Nesse cenário, uma tese de doutorado defendida no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) propõe uma metodologia inédita para ampliar a segurança jurídica das empresas brasileiras e aumentar sua capacidade de atrair capital internacional.

Fórmula brasileira que pode mudar a forma como o setor elétrico capta investimentos

O estudo foi desenvolvido pelo pesquisador Rodrigo Brandão Fontoura, advogado e ex-professor da FGV, Ibmec e PUC-Campinas. A pesquisa apresenta o modelo ESG× (ESGx), uma metodologia que busca fortalecer a governança corporativa e reduzir riscos regulatórios, alinhando as empresas brasileiras às exigências dos principais investidores globais.

Segundo Fontoura, as métricas tradicionais de ESG ainda apresentam lacunas importantes, especialmente no setor de energia. Para ele, o Brasil reúne condições para liderar a economia verde, mas a atração de recursos internacionais depende da adoção de padrões técnicos e de governança mais robustos.

A metodologia propõe ampliar o conceito tradicional de ESG ao incorporar oito pilares de gestão: ambiental, social, governança, econômico, integridade, conformidade, gestão de riscos e inovação. A proposta é oferecer uma análise transversal das práticas de sustentabilidade das empresas, tornando-as mais preparadas para emitir títulos verdes (green bonds) e captar recursos junto a grandes fundos internacionais.

Metodologia propõe ampliar o conceito tradicional de ESG

Além da questão financeira, o estudo destaca a importância estratégica do setor elétrico para a economia brasileira. Dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) mostram que as empresas privadas respondem por aproximadamente 60% da distribuição de energia no país, atendendo cerca de 71% dos consumidores.

Na avaliação do pesquisador, o mercado brasileiro de energia reúne características que despertam o interesse de investidores, como grande escala, crescimento da demanda e potencial de geração de valor. Ao mesmo tempo, o setor deverá passar por uma transformação baseada na descentralização dos sistemas elétricos e no uso intensivo de dados, impulsionada pelas exigências da economia digital.

Fontoura possui trajetória no setor de energia e infraestrutura, com atuação em empresas como CPFL Energia, Agip Petroli e Enersul, e atualmente é fundador da plataforma de sustentabilidade corporativa Verax ESGx.

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