Termelétrica a etanol: ela polui menos ou é apenas marketing verde?

Termelétrica com motor a etanol. Será que polui menos?

Uma termelétrica movida a etanol tende a emitir muito menos gases de efeito estufa do que uma usina abastecida por diesel, óleo combustível ou carvão. Isso acontece porque o CO₂ liberado na queima do etanol foi previamente capturado pela cana-de-açúcar ou pelo milho durante o crescimento da planta. Na prática, quando se analisa todo o ciclo de vida do combustível, do plantio ao consumo, o etanol pode reduzir as emissões de carbono em mais de 70% em comparação aos combustíveis fósseis.

Por outro lado, a usina continua emitindo poluentes locais, como:

  • Óxidos de nitrogênio (NOx);
  • Material particulado em menor escala;
  • Monóxido de carbono;
  • Compostos orgânicos voláteis.

Ou seja, ela não é uma fonte de energia “zero emissão”, como uma usina solar ou eólica. Outro ponto importante é que motores a etanol geralmente emitem menos enxofre e menos partículas do que termelétricas movidas a óleo diesel ou óleo combustível, o que melhora a qualidade do ar local.

Comparação simplificada

Fonte Emissões de CO₂ Poluentes locais
Carvão Muito altas Altas
Óleo combustível Altas Altas
Diesel Altas Médias/altas
Gás natural Médias Baixas
Etanol Baixas no ciclo de vida Médias/baixas
Solar/Eólica Praticamente zero Praticamente zero

Por isso, muitos especialistas veem as termelétricas a etanol como uma solução de transição. Elas podem substituir usinas fósseis em momentos de pico de demanda ou de seca hidrelétrica, reduzindo as emissões do setor elétrico enquanto o país amplia fontes renováveis como solar, eólica e armazenamento por baterias.

Mas a Savana Holding está apostando na alternativa para reforçar a segurança energética e acelerar a transição. A companhia colocará em operação, no próximo semestre, o primeiro motor termelétrico movido a etanol do país.

O projeto faz parte da usina Suape II, desenvolvida em parceria com a finlandesa Wärtsilä. A planta utilizará etanol produzido no Brasil para gerar energia elétrica, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e fortalecendo a autonomia energética nacional.

Usinas termelétricas de baixo carbono

Atualmente, o motor passa por testes de desempenho e confiabilidade. A expectativa é que a tecnologia abra caminho para uma nova geração de termelétricas de baixo carbono.

Segundo a Suape Energia, responsável pela implantação do projeto, a geração elétrica a partir do biocombustível pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em comparação com usinas movidas a diesel, considerando todo o ciclo de uso do combustível.

Projeto pode impulsionar agronegócio e transição energética

Além dos benefícios ambientais, a expectativa é que a operação da usina fortaleça a cadeia produtiva do etanol e gere impactos positivos na economia regional.

“Mais do que uma resposta à volatilidade dos combustíveis fósseis, o projeto representa um marco tecnológico e econômico para o setor elétrico brasileiro. A operação plena da Suape II deve impulsionar o desenvolvimento regional e fortalecer a cadeia do agronegócio. O Brasil tem a oportunidade de ampliar sua segurança energética e assumir uma posição de destaque na transição para uma matriz mais limpa e renovável”, afirma José Faustino, CTO da Suape Energia.

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