O aumento das ondas de calor já começa a gerar impactos econômicos relevantes em diversos países, incluindo o Brasil. É o que mostra o estudo “Too hot to grow: The economic costs of extreme heat”, da Allianz Research. Ele alerta para perdas de produtividade, aumento do consumo de energia e redução dos investimentos em economias mais expostas às altas temperaturas.
Segundo o levantamento, os efeitos se tornam mais intensos quando os termômetros ultrapassam os 30°C. Nessa condição, a produtividade do trabalho diminui, enquanto a demanda por energia cresce. Os pesquisadores estimam que cada grau acima desse limite reduz em cerca de 3% a produtividade média por hora trabalhada e aumenta em aproximadamente 1,2% o consumo de energia.
Brasil já sente os efeitos
O estudo destaca o Brasil como uma das economias mais vulneráveis ao calor extremo. Durante os episódios mais quentes registrados após 2014, o consumo de energia per capita no país ficou entre 4% e 5% acima da média histórica observada entre 1991 e 2010.
Além disso, a América do Sul deve enfrentar um agravamento dos impactos sobre o mercado de trabalho. A parcela de horas perdidas devido ao estresse térmico poderá dobrar até 2030, passando de 0,4% para 0,8%.
Pressão sobre energia e investimentos
Além de elevar a demanda por eletricidade, as ondas de calor podem reduzir os investimentos produtivos. Segundo a Allianz Research, o retorno esperado de novos projetos tende a cair em ambientes com eventos climáticos extremos mais frequentes, reduzindo a expansão da capacidade produtiva.
O estudo projeta queda média de até 8% na formação de capital fixo em países mais afetados, comprometendo o crescimento econômico de longo prazo.
Adaptação será cada vez mais necessária
Diante desse cenário, especialistas defendem a adoção de medidas para reduzir os impactos das altas temperaturas. Entre elas estão a modernização da infraestrutura energética, a melhoria da eficiência de edifícios, a ampliação dos sistemas de refrigeração e a criação de protocolos específicos para proteger trabalhadores expostos ao calor.
Portanto, para os pesquisadores, a adaptação climática deixará de ser apenas uma questão ambiental e passará a ocupar papel central nas estratégias de crescimento econômico e segurança energética das próximas décadas.
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