Diesel dispara mais de 7% e governo zera PIS e Cofins

ICMS eleva gasolina e diesel em 2026. Veja o preço médio

Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, os valores do diesel registram alta, segundo dados do IPTL (Índice Preços Edenred Ticket Log).

Na comparação entre os preços da última semana de fevereiro e os da primeira de março, o diesel S-10 subiu 7,72%, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro, enquanto o diesel comum avançou 6,10%, de R$ 6,23 para R$ 6,61. No mesmo período, a gasolina variou 1,24%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52.

De acordo com Vinicios Fernandes, Diretor de Frete na Edenred Mobilidade, o diesel costuma ser o combustível que reage primeiro. Afinal, ele tem forte relação com a dinâmica do transporte de cargas no País.

Ademais, o Brasil ainda não é autossuficiente na produção do combustível e importa entre 20% e 30% do diesel consumido internamente. Isso torna o mercado sensível a oscilações, principalmente em momentos que afetam rotas como a do Estreito de Ormuz.

Preço do barril do petróleo

Nos últimos dias, o preço do barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, diante do temor de impactos na oferta global de energia e na economia mundial.

“Ainda é cedo para afirmar que haverá falta de combustível e é importante ter cautela nesse momento. A própria Petrobras ainda não anunciou reajustes e costuma avaliar o comportamento do mercado antes de fazer qualquer movimento. De toda forma, seguimos monitorando a situação de perto. Se houver algum impacto mais relevante, temos tecnologia para apoiar nossos clientes e até mesmo o público geral. Indicamos pontos com disponibilidade de combustível para abastecimento, como já fizemos em momentos críticos do setor, como durante a greve dos caminhoneiros de 2018”, completa.

Altas regionais

Nos recortes estaduais, os dados também mostram variações relevantes entre os combustíveis. No caso do diesel comum, o maior preço médio foi registrado em Roraima, com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor foi observado em Pernambuco, com R$ 6,23. O maior aumento foi registrado no Piauí, de 17,45%, com o combustível chegando a R$ 7,74. Já no diesel S-10, o maior preço médio foi observado no Acre, também com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor foi registrado no Rio Grande do Sul, com R$ 6,26. A Bahia apresentou o maior aumento, de 11,46%.

No caso da gasolina, o maior preço médio foi registrado em Rondônia, com R$ 7,90 por litro, estado que também apresentou a maior alta no período, de 13,18%. Já o menor preço médio foi observado na Paraíba, com R$ 6,26.

Governo zera PIS/Cofins do diesel e cria subvenção para conter alta do combustível

Ontem, o governo federal anunciou um pacote de medidas para reduzir o preço do diesel no país. Um decreto presidencial zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do combustível. Além disso, uma medida provisória institui uma subvenção destinada a produtores e importadores de diesel.

As medidas têm caráter temporário e valem até 31 de dezembro deste ano. A decisão foi justificada pela escalada recente do preço internacional do petróleo, associada ao conflito no Irã, que tem levado diversos países a liberar estoques estratégicos da commodity.

De acordo com estimativas da equipe econômica, o corte de impostos deve reduzir o preço do litro do diesel em R$ 0,32 na refinaria. A subvenção aos produtores e importadores pode gerar uma redução adicional de R$ 0,32 por litro. Somadas, as medidas podem resultar em uma queda potencial de R$ 0,64 por litro no valor do combustível. Para ter acesso ao subsídio, empresas produtoras e importadoras precisarão comprovar que o benefício foi repassado ao consumidor final.

Como forma de compensar a perda de arrecadação e estimular o refino no país, também foi instituída uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto.

Impacto fiscal

Com o fim da cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel, a estimativa é de uma perda de cerca de R$ 20 bilhões em arrecadação. Já o programa de subvenção ao combustível deve gerar um impacto adicional de aproximadamente R$ 10 bilhões nas contas públicas.

A expectativa do governo é compensar esse valor com a nova taxa sobre a exportação de petróleo, cuja arrecadação pode alcançar R$ 30 bilhões até o final do ano.

As medidas não alteram a política de preços da Petrobras nem a estrutura tarifária do setor, mantendo o atual modelo de formação de preços do combustível no país.

Pressão do diesel na economia

O diesel exerce papel central na economia brasileira, pois impacta diretamente o transporte de cargas e diversas cadeias produtivas. A alta do produto tem efeito sobre o custo da logística e, consequentemente, sobre o preço final de alimentos e mercadorias.

No momento, o combustível também é essencial para atividades sazonais da agricultura, como a colheita da safra, fortemente dependente do transporte rodoviário e do uso de máquinas movidas a diesel.

Fiscalização e transparência

As novas regras também estabelecem parâmetros objetivos para atuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e de órgãos de defesa do consumidor na fiscalização de preços.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderá caracterizar como abusivas práticas como o armazenamento injustificado de combustíveis e o aumento excessivo de preços. A própria agência definirá os critérios técnicos por meio de resolução.

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