Veículos com placas solares no lugar da lataria já é possível. Afinal, é isso que está sendo proposto por uma equipe de pesquisadores da Universidade AGH de Cracóvia, na Polônia.
Ou seja, uma revolução da integração da energia solar aos veículos leves. A proposta conta com o desenvolvimento de minimódulos fotovoltaicos bifaciais com células de contato nas chapas reforçadas com fibra de vidro.
Veículos com placas solares no lugar da lataria
Portanto, estão desenvolvendo versões maiores, fabricadas em um processo de baixo custo, para equipar um carro solar personalizado que competirá em torneios internacionais.
Um dos principais desafios na fabricação dos módulos foi a escolha da camada ideal, garantindo a melhor combinação entre transparência óptica, resistência e flexibilidade. Há cinco camadas e mais de 20 combinações diferentes.
O objetivo é diminuir a relação entre peso e potência sem perder a eficiência
A equipe utilizou um espectrômetro UV-VIS para medir as características ópticas dos laminados e testou as propriedades de corrente-tensão em um simulador fotovoltaico de laboratório.
Com isso, desenvolveram os módulos protótipos com células solares de contato traseiro interdigitado (IBC) e diferentes pesos de compósito reforçado com fibra de vidro (GFRC) nas camadas frontal e traseira. O objetivo é diminuir a relação entre peso e potência, bem como o custo da transmissão solar e da resistência mecânica.
Para fabricar os módulos, os cientistas posicionaram duas células entre as camadas, utilizando resina aplicada a vácuo e curada à temperatura ambiente.
Quanto rendeu as placas solares no lugar da lataria?
O processo dispensou o uso de laminador ou longarina. Os protótipos testados variaram em peso das camadas frontais e traseiras, enquanto um vidro fotovoltaico padrão de 3,2 mm foi utilizado como referência. A configuração mais promissora incluiu um GFRC de 50 g/m² na frente e um TW-GRCF de 250 g/m² na parte traseira.
A equipe também estudou os materiais dos conectores finais, comparando alumínio (Al), cobre e níquel (Ni). Testes de eletroluminescência (EL) e saída de corrente-tensão (IV) mostraram que os conectores de níquel apresentaram a menor degradação relativa.
Próximos passos: placas solares substituindo a estamparia
O próximo desafio dos pesquisadores é aumentar a escala dos módulos e integrá-los diretamente à carroceria de um veículo solar. A equipe da Eko-Energia AGH já está construindo o carro do zero em suas instalações, planejando incorporar os módulos durante o processo de fabricação.
Os testes de degradação dos módulos foram realizados no Instituto de Pesquisa de Energia Solar de Cingapura (SERIS) da Universidade Nacional de Cingapura (NUS), validando o potencial da tecnologia para aplicações futuras.