A Engemon Energy está na fase final de implantação de um sistema de armazenamento de energia em megabaterias (BESS) no interior de São Paulo. O projeto envolve R$ 30 milhões e atende uma multinacional brasileira do setor de proteína animal.
Com 16 MWh de capacidade de armazenamento e 8 MW de potência, o sistema está entre os maiores projetos de armazenamento behind the meter* da América Latina. Esse tipo de solução reúne equipamentos de geração, armazenamento e gestão de energia instalados nas próprias dependências da companhia, operando no lado interno do medidor de eletricidade.
Promissão (SP) terá um dos maiores sistema de baterias
A estrutura instalada na unidade industrial é formada por oito contêineres de baterias de 2 MWh cada, conectados em média tensão e integrados ao sistema elétrico da planta. O objetivo é permitir maior flexibilidade no uso da energia, além de contribuir para a previsibilidade do consumo e para a segurança no abastecimento elétrico.
A expansão de sistemas de armazenamento tem acompanhado o crescimento das fontes renováveis no país e a demanda por maior eficiência energética na indústria. Nesse contexto, projetos de grande escala voltados ao consumo industrial vêm ganhando espaço como alternativa para equilibrar oferta e demanda de energia dentro das próprias operações produtivas.
Para a Engemon Energy, com a entrada em operação desse projeto a empresa alcançará 79 MWh de capacidade instalada de armazenamento no Brasil. A companhia também informa que mantém mais de 80 MWh em desenvolvimento em projetos executivos.
O empreendimento foi realizado em parceria com a Matrix Energia, empresa que atua na comercialização e gestão de energia para grandes consumidores.
Cenário do sistemas de baterias no Brasil
Embora ainda incipiente, o armazenamento de energia no Brasil começa a ganhar escala com projetos que vão de microrredes isoladas a sistemas industriais de grande porte, indicando que as megabaterias devem se tornar peça central na expansão das energias renováveis e na segurança energética do país.
O projeto de Promissão, por exemplo, está entre os maiores sistemas “behind the meter” industriais do Brasil, mas vele dizer que existem outros exemplos relevantes no país, em diferentes aplicações, como indústria, microrredes e suporte ao sistema elétrico.
Amazônia: microrredes solares com 120 MWh de armazenamento
Na região amazônica, há um projeto que prevê a instalação de 110 MWp de geração solar combinados com 120 MWh de baterias em 24 localidades isoladas. O sistema funcionará em formato de microrrede: durante o dia, a geração excedente recarrega as baterias, que passam a fornecer energia à noite, reduzindo o uso de termelétricas a diesel nas comunidades atendidas. Assinam o projeto, Huawei e Aggreko.
Bariri (SP) tem armazenamento conectado à hidrelétrica
Um dos primeiros experimentos de armazenamento no Brasil foi implantado na Usina Hidrelétrica de Bariri, no interior de São Paulo. O projeto piloto usa baterias de íons de lítio para testar aplicações como estabilidade do sistema elétrico e suporte à rede. O sistema inicial possui cerca de 161 kW de capacidade, com possibilidade de expansão para cerca de 1 MW.
Sistemas industriais do Grupo Moura (Pernambuco)
A fabricante brasileira de baterias para veículos automotores implantou um sistemas BESS para suprir as aplicações industriais. A ideia foi para reduzir o consumo no horário de ponta, confiança energética e armazenamento. Há instalações em Belo Jardim e Recife, com aplicações de suporte à operação elétrica de indústrias.
Fernando de Noronha tem laboratório de baterias
O arquipélago abriga uma usina solar de 22 MWp com um sistema de baterias de aproximadamente 49 MWh. Ela permite armazenar a energia para o uso noturno. O projeto integra o programa de descarbonização da ilha, historicamente dependente de geração a diesel.
Sistemas industriais “behind the meter”*
Além de projetos ligados ao sistema elétrico, cresce no Brasil o uso de baterias instaladas diretamente nas plantas industriais — os chamados sistemas “behind the meter”. Nessas aplicações, as baterias armazenam energia para reduzir custos no horário de ponta, aumentar a segurança do fornecimento e melhorar a gestão energética das empresas, tendência que começa a ganhar escala com projetos acima de 10 MWh.
Veja também:
BorgWarner entra estrategicamente no segmento de Data Centers




