Quanto tempo dura realmente a bateria de um EV?

Quanto tempo dura a bateria de um veículo elétrico? Essa é uma questão fundamental para quem está pensando em comprar um modelo elétrico. Porém, é importante saber que a degradação da bateria, ou seja, o declínio gradual da capacidade de armazenar energia, acontece.

Para apoiar a inovação e aumentar a confiança das frotas na tecnologia dos veículos elétricos, a Geotab realizou estudos aprofundados, usando dados telemáticos reais para verificar como as baterias se degradam.

Análise envolveu mais de 22 mil elétricos

A análise foi feita em mais de 22.700 veículos elétricos, abrangendo 21 modelos diferentes. O resultado confirma que as baterias dos veículos elétricos modernos são robustas e feitas para durar além da vida útil. No entanto, a dependência crescente da carga rápida, mostra a variabilidade entre os veículos.

No primeiro grande estudo da Geotab em 2020 mostrou-se uma taxa média de degradação da bateria de 2,3% ao ano. Até 2023, análises mostraram uma melhoria de 11 modelos comuns, uma degradação média de apenas 1,8% ao ano.

Bateria pode perder 20% da capacidade em oito anos

Quando o estudo foi ampliado, em 2025, a perda média de capacidade havia retornado a 2,3% ao ano nas 21 marcas e modelos. Isso significa que a bateria média deverá ter 81,6% de sua capacidade original após oito anos.

A taxa média de degradação parece variar significativamente conforme o modelo. As vans, por exemplo, apresentaram uma taxa média anual mais alta (2,7%) em comparação com a dos carros (2,0%).

As diferenças entre os modelos de veículos são provavelmente determinadas pelas composições químicas específicas das baterias, projetadas para diferentes prioridades. Entre eles estão: alcance (densidade energética) durabilidade (longevidade), bem como gerenciamento de baterias.

 

 

Carregamento rápido cresceu, mas deve ser usado com cautela

Em toda base de clientes da a Geotab, a dependência pelo carregamento rápido DC de alta velocidade quase triplicou, passando de menos de 10% para cerca de 25%. Além disso, a potência média dessas sessões aumentou de aproximadamente 70 kW para mais de 90 kW.

Essa tendência destaca a importância do dimensionamento estratégico, ou seja, de combinar cuidadosamente a potência de carregamento com os requisitos operacionais específicos de cada veículo. Ou seja, para garantir a melhor saúde da bateria a longo prazo, a melhor prática é usar o nível de energia mais baixo que ainda atenda.

Por exemplo, se um veículo é regularmente estacionado durante a noite por cinco ou mais horas, instalar infraestrutura para carregá-lo completamente em 15 minutos pode ser um exagero. Ao reservar o DCFC de alta potência para necessidades essenciais, em vez de torná-lo o padrão, é possível proteger significativamente o investimento em baterias a longo prazo.

 

Pesquisa mostra quanto custa o KM rodado de um elétrico
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Clima: Temperaturas quentes

As altas temperaturas aceleram naturalmente a degradação da bateria, pois o calor aumenta a atividade química e o estresse dentro da célula. Felizmente, os sistemas internos de gerenciamento de bateria ajudam a diminuir esse efeito. Os veículos que operam em climas quentes se degradam, em média, 0,4% mais rápido por ano do que os que operam em climas amenos. Como resultado, a localização geográfica continua sendo uma variável fundamental na previsão da vida útil de uma bateria.

Os dados atual não contavam com amostras suficientes de “apenas frias”, ou seja, de veículos em climas consistentemente frios, sem uma estação quente, para isolar o impacto do frio extremo na degradação a longo prazo.

Ciclo também influencia

A vida útil da bateria também é influenciada pela taxa de transferência, ou seja, pela quantidade total de energia que passa pelas células. A Geotab mediu isso usando a métrica do ciclo médio de carga, que rastreia quantos ciclos “completos” uma bateria faz. Um ciclo completo representa a descarga e recarga acumuladas de 100% da capacidade útil da bateria.

Ou seja, os dados confirmam que a intensidade operacional acelera o envelhecimento. Conforme a produtividade diária aumenta de baixa utilização (menos de 15% de um ciclo) para alta utilização (mais de 35% de um ciclo), a penalidade média anual por degradação sobe de 1,5% para 2,3%, ou seja, 0,8% a mais.

O impacto a longo prazo é indiscutivelmente nominal quando comparado com os benefícios da maximização do tempo de atividade. Após oito anos, prevê-se que os veículos com baixa utilização mantenham 88% de seu estado de conservação, enquanto os veículos com elevada utilização continuarão a apresentar um nível de funcionalidade de 81,6%.

Segundo o estudo, as estratégias operacionais devem priorizar a implantação de veículos para atender às metas. No entanto, os gerentes devem garantir que o aumento da utilização não resulte em uma dependência desproporcional, o que causará perda de capacidade.

Carregador Elétrico para a frota de 200 mil eletrificados
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Conservação da bateria fora do estudo

“O carregamento rápido é uma solução que deve ser usada para viagens e emergências, sem fazer parte do uso cotidiano. Quando o motorista adota uma rotina de carga mais equilibrada, ele preserva a bateria e protege o valor do veículo”, ressalta Ricardo Ceruli, CEO e cofundador da E-Forth.

Ele acrescenta que o hábito de manter a carga nos extremos (0% ou 100%) pode acelerar a degradação da bateria do carro elétrico. Ou seja, manter o carregamento entre cargas moderadas é uma das práticas mais recomendadas por especialistas.

“Evitar descargas completas ou cargas a 100% no uso diário e optar, sempre que possível, por um intervalo entre aproximadamente 20% e 80% da capacidade, preserva a química das células que compõem o sistema e reduz desgaste desnecessário ao longo do tempo”, explica o executivo.

Calor pode ser um vilão para baterias

Para o CEO, condições externas, como temperaturas elevadas, influenciam a performance e o envelhecimento do pack de baterias, conforme o estudo da Geotab apontou.

“Em dias quentes, é importante estacionar à sombra ou em locais fechados, além de utilizar o sistema de pré-condicionamento térmico presente nos veículos elétricos. Esse sistema ajuda a manter tanto a cabine quanto a bateria em temperaturas adequadas durante o uso em climas adversos e ainda contribui para minimizar o impacto ambiental associado à bateria”, orienta o executivo.

Ao adotar hábitos simples de uso e recarga, o motorista de carro elétrico consegue não apenas ampliar a vida útil da bateria, mas também reduzir incertezas relacionadas à manutenção e à revenda do automóvel.

“Em um mercado ainda em amadurecimento, a informação se torna uma forte aliada para acelerar e aquecer o mercado da mobilidade elétrica no país. Quando o consumidor entende como cuidar da bateria, o carro elétrico deixa de ser uma aposta e passa a ser um investimento consciente”, conclui Ricardo Ceruli.

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