Com cerca de 60 milhões de postes em operação no Brasil, segundo estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a busca por soluções eficientes para a infraestrutura elétrica torna-se mais urgente. Com isso, os postes compósitos de polímero reforçado com fibras de vidro (PRFV) surgem como uma alternativa aos tradicionais, feitos de concreto.
Um levantamento do governo federal indica que cerca de 10 milhões de postes de distribuição de energia estão em situação crítica em todo o Brasil. Por outro lado, são destruídos 70 mil postes ao ano.
Postes de polímero reforçado com fibras de vidro
O Lactec, instituto de pesquisa e inovação com décadas de atuação no setor energético, tem realizado ensaios, avaliando composição química, comportamento mecânico e durabilidade. O objetivo é garantir que esses postes atendam às exigências da norma brasileira NBR.
Ao longo do desenvolvimento, a equipe avaliou os materiais empregados na fabricação, entre eles diversos tipos de resinas e fibras. A doutora Joseane Valente Gulmine, pesquisadora do Lactec, explica que a equipe analisou não apenas a fibra de vidro, mas também alternativas como fibra de carbono e aramida.
“A fibra de vidro tem uma densidade maior, enquanto a de carbono é mais leve, porém apresenta propriedades que não são tão interessantes para essa aplicação, como a flexibilidade”, explica, detalhando os desafios na escolha dos materiais ideais.
Outros estudos para não derrubarem os postes
Os estudos também envolveram avaliações mecânicas e de degradação ao longo do tempo, resistência ao fogo e, principalmente, a aderência entre fibra e resina, fator determinante para o desempenho final do produto.
“A resina e a fibra precisam ter uma boa interface. Caso contrário, não vai haver a performance esperada. E essa interface satisfatória depende do uso de materiais adequados (fibra adequada para determinada resina, por exemplo) e de parâmetros de processamento adequados”, complementa a pesquisadora.
Uma das grandes vantagens dos postes de PRFV está no tempo de fabricação. Enquanto um poste de concreto demanda mais de duas semanas para cura, os de material composto ficam prontos em apenas um ou dois dias. Eles utilizam a técnica de enrolamento filamentar, processo no qual embebem as fibras em resina e as enrolam um molde.
Exemplos de estruturas avaliadas
O instituto de pesquisa desenvolveu dois projetos principais envolvendo a tecnologia PRFV. O primeiro avaliou postes para redes de distribuição, de 10 a 12 metros de altura, com tensão de 13,8 kW. O segundo buscou criar estruturas emergenciais modulares para linhas de transmissão de alta tensão, com postes de aproximadamente 30 metros. Há também dois protótipos de superpostes. Eles passaram por ensaios mecânicos na produção. Agora, a próxima fase da pesquisa, será a produção em escala e o testes em campo.
“Para o caso das estruturas emergenciais, tendo em vista que o poste de PRFV pode ser fabricado em módulos, em um caso de queda de torre em local de difícil acesso, a recomposição pode ser mais ágil até que seja possível a montagem de uma estrutura definitiva”, detalha a pesquisadora do Lactec.
Mercado e normas atendidas para funcionar
Atualmente o mercado já enxerga os postes de PRFV como uma tendência. No Brasil já são inúmeros os fornecedores que fabricam este produto com a qualidade exigida pelo setor elétrico.
De acordo com a norma NBR 16989:2021, os postes de PRFV devem apresentar resistência ao ataque de agentes naturais físicos e biológicos, além de suportar intempéries e impedir o afloramento das fibras.
Nesse contexto, o estudo entende como agentes físicos naturais a radiação ultravioleta e infravermelha, a umidade e as variações de temperatura, e como agentes biológicos a ação de insetos, roedores, aves ou fungos.
Como características físicas e tolerâncias, os postes de PRFV devem apresentar superfície contínua e uniforme, sem cantos vivos, arestas cortantes ou rebarbas, e ser isentos de defeitos como trincas ou fissuras, bolhas, avarias de transporte ou armazenagem e curvaturas.
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