As primeiras imagens da Lua capturadas durante o sobrevoo da missão Artemis II revelam regiões nunca vistas por humanos, incluindo um raro eclipse solar observado do espaço. Divulgadas na última terça-feira (7), as fotos registram passagens pela face oculta do satélite, marcando o retorno da humanidade às proximidades da Lua e abrindo um novo conjunto de dados científicos.
Os astronautas da NASA, Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e o astronauta da Canadian Space Agency, Jeremy Hansen, utilizaram um conjunto de câmeras para capturar milhares de imagens. Algumas já foram divulgadas, e outras devem ser publicadas nos próximos dias, enquanto a tripulação, já na segunda metade da missão, segue em retorno à Terra.

“Os quatro astronautas da Artemis II levaram a humanidade a uma jornada incrível ao redor da Lua e trouxeram imagens tão extraordinárias e ricas em ciência que vão inspirar gerações”, afirmou Nicky Fox, administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da NASA.
Durante o sobrevoo lunar, a equipe documentou crateras de impacto, fluxos antigos de lava e fraturas na superfície. Os dados que ajudarão cientistas a compreender melhor a evolução geológica da Lua.
Os astronautas também analisaram variações de cor, brilho e textura do terreno, observaram o nascer e o pôr da Terra no horizonte lunar e registraram imagens do eclipse solar, incluindo a coroa do Sol. Além disso, foram identificados seis flashes de impacto de meteoróides na superfície, ampliando o conhecimento sobre a dinâmica de colisões.
Terra fica mais iluminada à noite, mas desigualdade regional chama atenção
A Terra está mais iluminada durante a noite, mas de forma desigual e dinâmica. Um estudo publicado na revista Nature revela que a luminosidade artificial global cresceu 16% entre 2014 e 2022, impulsionada pela urbanização e expansão elétrica.
A análise, baseada em mais de um milhão de imagens diárias de satélite, mostra que o aumento não segue um padrão uniforme. Regiões em desenvolvimento, como partes da África Subsaariana e do Sudeste Asiático, registraram os maiores avanços. Entre os países com maior intensidade luminosa total estão Estados Unidos, China, Índia, Canadá e Brasil, que concentram grandes centros urbanos e infraestrutura.
Europa está mais escura
Na direção oposta, a Europa apresentou redução média de cerca de 4% na luminosidade noturna. O movimento está associado a políticas públicas voltadas à eficiência energética e à redução da poluição luminosa. Há indicação da adoção de sistemas de iluminação mais eficientes e da diminuição do uso de luz artificial.
O estudo também aponta que quedas abruptas na iluminação podem indicar cenários críticos. Países como Ucrânia, Iêmen, Afeganistão, Haiti e Venezuela registraram redução significativa da luminosidade associada a conflitos, crises econômicas ou desastres.
Além de refletir desenvolvimento econômico e acesso à energia, o avanço da iluminação artificial traz impactos ambientais e sociais. O excesso de luz noturna pode afetar ecossistemas, interferir na migração de animais e alterar os ritmos biológicos humanos.
Portanto, os dados indicam que a chamada “paisagem noturna” está em constante transformação, influenciada por fatores econômicos, tecnológicos e geopolíticos. Ou seja, trata-se de um novo indicador global de desenvolvimento, e também de desigualdade.





