A humanidade gera montanhas de resíduos eletroeletrônicos todos os anos, mas a maior parte desse valor acaba no lixo. Segundo dados do The Sustainable Development Goals Report 2026, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 24% das 65 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos gerados no mundo em 2023 foram formalmente recicladas.
O volume global equivale a 8,1 kg de lixo eletrônico por pessoa ao ano, consolidando esse tipo de resíduo como um dos fluxos de contaminação e descarte que mais crescem no planeta. Diante desse cenário desfavorável, a mineração urbana — a prática de recuperar materiais presentes em produtos descartados para reinseri-los na cadeia produtiva, desponta como uma solução urgente e economicamente estratégica.
“Esse índice de 24% revela um desperdício enorme: quase 50 milhões de toneladas de resíduos deixaram de ser formalmente recicladas em um único ano”, alerta Robson Esteves, presidente da ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos).
“Não estamos falando apenas de plástico e vidro. Dentro desses equipamentos há ouro, prata, cobre, paládio e terras-raras, materiais críticos e de alto valor que, em vez de retornarem à indústria, acabam enterrados ou queimados.”
A pressão sobre os recursos naturais e a economia circular
A urgência da mineração urbana cresce no mesmo ritmo em que a pressão sobre os recursos do planeta se intensifica. De acordo com o mesmo relatório da ONU, o consumo doméstico global de materiais (DMC) avançou 25% entre 2015 e 2022, saltando de 92,1 bilhões para 115,1 bilhões de toneladas.
Nesse contexto, minerar o que já está em circulação é mais vantajoso do que extrair novas matérias-primas da natureza. Na prática, a mineração urbana funciona por meio de processos tecnológicos estruturados:
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Triagem e Desmontagem: O equipamento entregue passa por uma separação minuciosa.
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Recuperação de Componentes: Metais e plásticos nobres são isolados com uso de tecnologia e rastreabilidade.
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Reintrodução Industrial: Os materiais voltam para a cadeia de suprimentos como matéria-prima virgem para novos produtos.
O papel da logística reversa no Brasil
Para que a mineração urbana aconteça na prática, é preciso haver uma ponte entre quem descarta e quem recicla: a logística reversa. No Brasil, o setor é regulamentado pelo Decreto nº 10.240/2020, que define metas para fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Entidades como a ABREE são responsáveis por estruturar e operacionalizar essa cadeia em todo o país.
Atualmente, a associação já conta com mais de 7 mil pontos de recebimento espalhados por cerca de 1,5 mil municípios brasileiros.
“O Brasil tem a oportunidade de se estruturar para aproveitar essa fonte de matérias-primas que já está em circulação no país. Investir em logística reversa e mineração urbana contribui para a competitividade e a segurança de suprimentos da indústria”, pontua Esteves.
Como o consumidor pode participar (e se proteger)
O sucesso da economia circular depende da ponta final: a atitude do consumidor. Ao levar um equipamento sem uso a um ponto de coleta, a população impede que poluentes atinjam o meio ambiente e garante que os materiais nobres retornem à indústria.
Para realizar o descarte correto de celulares, computadores, e-readers ou outros dispositivos que armazenam dados, especialistas recomendam alguns cuidados prévios:
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Backup: Salve todos os arquivos, fotos e documentos importantes na nuvem ou em um HD externo.
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Desvinculação de contas: Remova senhas, e-mails e contas associadas ao aparelho (como Apple ID ou conta Google).
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Restauração de fábrica: Formate o dispositivo, retornando-o às configurações originais para proteger suas informações pessoais.
Para saber mais, acesse o site oficial da ABREE e consulte pelo CEP.




