Mapa das Terras Raras. Veja o que está por vir

Mapa das Terras Raras. Veja o que está por vir

O Brasil possui algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo, fundamentais para veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos militares e data centers. Apesar desse potencial, continua exportando matéria-prima com baixo processamento e abrindo mão de receitas públicas bilionárias.

Esse é o principal diagnóstico do estudo “Caminhos para uma estratégia nacional sustentável e soberana de minerais críticos e terras raras no Brasil”, elaborado por Diógenes Breda, professor de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pesquisador do Transforma, e por Iago Montalvão, pesquisador do Transforma.

Mapa das Terras Raras

O estudo mostra que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, a maior de nióbio, a segunda de grafita e a terceira de níquel. Ainda assim, responde por menos de 1% da produção global de terras raras e não desenvolveu uma cadeia relevante de beneficiamento. Hoje, a China responde por cerca de 70% da produção mundial de terras raras e concentra mais de 90% da capacidade global de processamento e refino, tornando Estados Unidos e Europa fortemente dependentes do país asiático.

Entre 2017 e 2024, as isenções fiscais federais ao setor mineral somaram R$ 47,35 bilhões, praticamente o mesmo valor arrecadado pela CFEM (R$ 46,1 bilhões). Em 2024, cinco empresas, Vale, Salobo Metais, Jacobina Mineração, Alcoa e Paragominas, concentraram 93% dos benefícios fiscais concedidos ao setor.

Na prática, para cada R$ 1 arrecadado com a exploração mineral, aproximadamente R$ 1 foi renunciado em benefícios fiscais. O contraste é ainda maior no caso das terras raras, consideradas estratégicas para a transição energética e a indústria de alta tecnologia: elas não geraram arrecadação relevante de CFEM até 2024, quando o recolhimento foi de apenas R$ 2,9 milhões.

Leis das Terras Raras

“Os recursos minerais do solo brasileiro pertencem à União, mas o regime de exploração mineral vigente no país conserva a renda dessa atividade nos cofres das empresas, em sua grande maioria de capital estrangeiro. A prerrogativa do Estado para apropriar-se de parte dessa renda e utilizá-la em projetos de desenvolvimento não se efetiva devido, por um lado, à profusão de incentivos fiscais e, por outro, ao precário regime de arrecadação de royalties da mineração, o CFEM, caracterizado por taxas de arrecadação inferiores à média mundial e fiscalização insuficiente. Considerando apenas os tributos federais objeto da política de isenções, nosso estudo encontrou volumes de arrecadação do CFEM muito próximos ou mesmo inferiores às renúncias das empresas mineradoras”, afirma Diógenes Breda.

De acordo com o pesquisador, “a política de isenções fiscais é o principal, se não o único, mecanismo de estímulo ao setor mineral brasileiro. O cerne da questão é que se trata de renúncias relacionadas à exportação desses produtos (Lei Kandir, PIS/Cofins). Tais benefícios impelem o setor a se projetar para o mercado externo, onde encontram demanda segura e crescente para exportação de minérios com baixo beneficiamento. Isso não só é verdade para os minérios tradicionais como o ferro e a bauxita, mas também para os chamados minerais críticos, como as terras raras e o lítio. Diante de um mercado seguro e rentável lá fora, é improvável que as mineradoras se arrisquem em projetos de longo prazo para refino, separação e manufatura de ligas e ímãs. A única exceção é o nióbio, que exige avaliação particular”, afirma Breda.

O estudo conclui que o país precisa adotar uma política industrial voltada ao processamento, inovação e agregação de valor, aproximando-se das estratégias adotadas por China, Estados Unidos e outros países.

Terras raras: o que são e para o que servem?

O termo “terras raras” se refere a um grupo de 17 elementos químicos que, em geral, estão distribuídos em diferentes tipos de minerais, e, assim, exigem processos específicos para sua separação e aproveitamento.

Esses elementos são considerados importantes para diversos setores da economia devido às suas propriedades físicas e químicas, que permitem aplicações em tecnologias, equipamentos eletrônicos, geração de energia e indústria. Na prática, as terras raras estão presentes em diversos produtos utilizados no dia a dia, como smartphones, computadores, televisores, equipamentos médicos, veículos elétricos e sistemas de geração de energia. Suas propriedades ajudam a tornar esses equipamentos mais eficientes, leves e duráveis.

Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas. Muitos desses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre, mas costumam estar dispersos em baixas concentrações, o que torna sua identificação, extração e processamento mais complexos. A viabilidade econômica de um depósito de terras raras, no entanto, depende de fatores como o teor dos elementos, a mineralogia associada, a complexidade do beneficiamento e as condições de mercado e logística.

No Brasil, as terras raras ocorrem, em grande parte, em depósitos de argilas iônicas, formados pelo intemperismo de rochas enriquecidas nesses elementos, que dá origem a perfis de solo com camadas argilosas onde os elementos ficam adsorvidos às argilas. Esse tipo de ocorrência pode favorecer a extração dos elementos e, em determinadas condições geológicas e operacionais, resultar em menor necessidade de etapas de beneficiamento, contribuindo para a redução dos impactos ambientais em comparação com outros tipos de depósitos.

info educativo terras raras

 

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