Energia elétrica exerceu maior impacto sobre inflação de 2025

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O índice oficial de inflação do país fechou o ano com alta de 4,26%, ficando 0,57 ponto percentual (p.p.) abaixo do IPCA de 2024 (4,83%) e situando-se abaixo do teto da meta (4,5%) de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Este também foi o menor acumulado para o ano desde 2018 (3,75%).

O resultado de 2025 foi influenciado principalmente pelo grupo Habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79%, registrando o maior impacto (1,02 p.p.) no acumulado do ano.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, destaca que “esse é o quinto menor resultado da série desde o plano Real, ou seja, nos últimos 31 anos. Antes dele, temos 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%)”.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, comenta que “no grupo Habitação, a participação da energia elétrica residencial gerou impacto no resultado acumulado no ano de 0,48 p.p., por conta de reajustes que variaram de -2,16% a 21,95%, além de uma maior prevalência de bandeiras tarifárias onerando a conta dos consumidores, diferentemente do que ocorreu em 2024 com 8 meses de bandeira verde, ou seja, sem custo adicional. Por outro lado, os alimentos para consumo no domicílio apresentaram queda ao longo do ano, em razão de maior oferta”.

Os outros grupos apresentaram os seguintes resultados no acumulado de 2025: Artigos de residência, com -0,28% de variação e -0,01p.p. de impacto; Vestuário, com 4,99% e 0,23 p.p.; Transportes, com 3,07% e 0,63 p.p.; e Comunicação, com 0,77% e 0,03 p.p.

Energia elétrica exerceu o maior impacto individual sobre a inflação de 2025

Entre os 377 subitens que têm seus preços considerados no cálculo do IPCA, a energia elétrica residencial exerceu o maior impacto (0,48 p.p.) individual sobre a inflação de 2025, acumulando alta de 12,31% no ano. Em segundo lugar, vieram os cursos regulares, com 0,29 p.p. de impacto e 6,54% de variação; plano de saúde, com 0,26 p.p. e 6,42%; aluguel residencial, com 0,22 p.p. e 6,06%; e lanche, com 0,21 p.p. e 11,35%.

Entre as quedas, destacam principalmente os produtos alimentícios: o arroz registrou impacto de -0,20 p.p. no acumulado de 2025, com queda de 26,56%, e o leite longa-vida contribuiu com -0,10 p.p., saindo de uma alta de 18,83% em 2024 para uma queda de 12,87% em 2025. Destacam-se, ainda, eletrodomésticos e equipamentos, aparelho telefônico e seguro voluntário de veículo, com impacto de -0,05 p.p. cada um.

“Os preços dos produtos alimentícios subiram 2,95% em 2025, abaixo do resultado de 2024, quando registraram alta de 7,69%. Com os produtos não alimentícios, ocorreu o inverso: alta de 4,64% em 2025 frente aos 4,07% observados em 2024”, observa Gonçalves.

Variação no ano da energia elétrica residencial, por região pesquisada

 

 

Região Variação
Acumulada (%)
2024 2025
Porto Alegre -0,77 23,50
Goiânia 6,00 23,07
São Paulo -4,24 18,64
São Luís 5,49 18,06
Vitória -1,38 17,48
Brasília -2,00 15,74
Aracaju -0,26 12,81
Belo Horizonte 6,16 11,29
Recife 0,72 8,64
Belém -0,60 6,90
Salvador -6,19 6,05
Campo Grande -0,92 5,96
Curitiba 4,72 5,96
Rio Branco 2,79 5,65
Fortaleza -1,89 4,90
Rio de Janeiro 1,51 1,63
Brasil -0,37 12,31
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

energia elétrica residencial (12,31%), do grupo Habitação (6,79%), foi o subitem responsável pelo principal impacto no resultado no ano (0,48 p.p.), com reajustes tarifários que variaram de -2,16% a 21,95%. Houve a incorporação do Bônus de Itaipu em janeiro e agosto e vigoraram todas as bandeiras tarifárias ao longo do ano:

• Bandeira verde (sem cobrança de tarifa): janeiro a abril.
• Bandeira amarela (adicional de R$ 1,885 a cada 100 Kwh): maio e dezembro.
• Bandeira vermelha patamar 1 (adicional de R$ 4,46 a cada 100 Kwh): junho, julho, outubro e novembro.
• Bandeira vermelha patamar 2 (adicional de R$ 7,87 a cada 100 Kwh): agosto e setembro.

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