Educação tecnológica transforma lixo eletrônico em oportunidade

lixo eletrônico em oportunidade

O que antes era visto apenas como descarte passou a ganhar um novo significado. O lixo eletrônico, formado por celulares, notebooks, televisores e outros dispositivos fora de uso, vem se consolidando como uma oportunidade econômica, educacional e tecnológica.

Dados da Organização das Nações Unidas mostram que o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos por ano, mas apenas 3% desse volume recebe destinação adequada.

A maioria acaba em aterros sanitários ou é descartada de forma irregular, o que provoca desperdício de matérias-primas valiosas, como cobre, alumínio e metais preciosos, além de riscos diretos ao meio ambiente e à saúde pública.

No mundo, a tendência é ainda mais preocupante. Projeções indicam que o volume global de lixo eletrônico pode triplicar até 2030, impulsionado pelo consumo intenso de tecnologia e pela rápida obsolescência dos dispositivos.

Lixo eletrônico pode triplicar até 2030

Na prática, o alto custo de reparo de equipamentos como celulares e notebooks, muitas vezes superior ao preço de um aparelho novo, estimula o descarte precoce. Esse comportamento reflete hábitos de consumo pouco sustentáveis e a falta de informação sobre alternativas mais responsáveis para o fim da vida útil dos produtos.

Apesar da dimensão do problema, o tema ainda ocupa pouco espaço no debate público. Para grande parte da população, o descarte de dispositivos eletrônicos não é percebido como uma questão ambiental ou econômica relevante, o que reforça a importância de ações educativas, especialmente entre crianças e adolescentes, que já crescem imersos no universo digital.

Como o lixo eletrônico pode ser uma oportunidade?

Segundo Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada em competências para o futuro, unir tecnologia e sustentabilidade na educação gera impacto direto na formação das novas gerações.

“Quando ensinamos robótica e programação a partir de problemas reais, como o lixo eletrônico, mostramos como a tecnologia pode ser parte da solução. Além de reduzir desperdícios, formamos jovens com pensamento crítico e preparados para os desafios da sociedade”, afirma.

Ao estimular a compreensão prática do funcionamento da tecnologia e o reaproveitamento de materiais, essas iniciativas ajudam a reduzir impactos ambientais e, ao mesmo tempo, ampliam as perspectivas profissionais dos estudantes. “Com incentivo e orientação, os jovens se engajam naturalmente em causas transformadoras e contribuem para soluções mais responsáveis para o futuro”, conclui Giroto.

Evento de Reciclagem de Autos

O assunto reaproveitar está tão em alta que acontece em São Paulo o Recicle Mais. O evento que será realizado nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026, em Barueri (SP), reúne montadoras, Centros de Desmontagem Veicular (CDVs), empresas de tecnologia e especialistas para discutir a integração do fim de vida dos veículos à estratégia da indústria automotiva, com foco em economia circular, desmonte legal, rastreabilidade e novos modelos de negócio no pós-vida do automóvel.

Entre os destaques da programação está o painel “A sinergia entre Montadoras, Desmontes e Economia Circular”, mediado por Alessandro Boiah, com participação de Alexandre Aquino, vice-presidente de Economia Circular da Stellantis para a América do Sul; Arthur Rufino, fundador da Octa e articulador da regulamentação do desmonte no Brasil; e Luiz Henrique Lopes Vilas, Ph.D. e especialista em Meio Ambiente, Sustentabilidade e ESG no setor automotivo. O evento é organizado por Leonardo Henrique Coelho Ruocco.

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