A 9º Conferência da Abrapch (Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e de Centrais Geradoras Hidrelétricas) será entre 24 e 26 de fevereiro de 2026, em Foz do Iguaçu (PR). Reconhecido como o maior encontro nacional dedicado às pequenas hidrelétricas, o evento acontece em um momento estratégico para o setor elétrico brasileiro.
“Quando falamos de hidrelétricas, o impacto vai muito além da geração: envolve o uso múltiplo da água e a gestão de recursos hídricos. É uma fonte estratégica e incomparável”, disse a presidente da Abrapch, Alessandra Torres.
Para ela, o Brasil não pode abrir mão das PCHS e CGHs com reservatórios. “As previsões apontam para grandes chuvas no Sul do país. Deveríamos estar construindo hidrelétricas estratégicas com reservatórios na região, para armazenar essa água e usá-la nos períodos de estiagem, fazendo a sazonalidade entre bacias”, acrescentou.
O local escolhido é próximo à Itaipu Binacional, um dos maiores símbolos da geração hidrelétrica mundial e que reforça o papel histórico das hidrelétricas.
Energia firme, limpa e estratégica
Nos últimos anos, o setor elétrico brasileiro ampliou de forma acelerada a participação de fontes intermitentes, como solar e eólica. Embora fundamentais para a diversificação da matriz, essas fontes dependem de condições climáticas e exigem sistemas de respaldo para garantir o atendimento contínuo da demanda. Nesse contexto, as PCHs e CGHs ganham relevância por sua capacidade de geração contínua, controle de despacho e contribuição direta para a estabilidade do sistema, especialmente nos horários de maior consumo, como o fim da tarde e o período noturno.
Entraves regulatórios e ambiente de negócios
Outro eixo central da Conferência será o debate sobre licenciamento ambiental, segurança jurídica, financiamento e modelo comercial do setor elétrico. Especialistas da Abrapch apontam que a combinação entre burocracia excessiva, instabilidade regulatória, distorções tarifárias e imprevisibilidade afeta diretamente a viabilidade de novos projetos.
A programação também abordará os impactos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e do Licenciamento Ambiental Especial (LAE), que trouxeram maior padronização e previsibilidade ao processo, além da necessidade de ampliar a infraestrutura de conexão às redes de distribuição e de valorizar atributos como potência, capacidade e proximidade da carga.
Paraná como referência nacional
Estado anfitrião do evento, o Paraná é hoje um dos principais exemplos do potencial das PCHs e CGHs no País. Atualmente, o Estado responde por cerca de 18% da energia gerada no Brasil, com 98% dessa matriz composta por fontes limpas e renováveis. São 114 PCHs e CGHs em operação, além de projetos em construção, em fase de início de obras e em estudos de viabilidade, abrindo espaço para novos empreendimentos a partir de 2026.




