A China apresentou uma nova geração de baterias nucleares de longa duração que pode operar por milhares de anos sem recarga. Batizada de Qianjiyuan Tianshu, a tecnologia utiliza o isótopo radioativo carbono-14 como fonte de energia e é um avanço para aplicações de baixo consumo.
Desenvolvida pela Universidade Normal do Noroeste, em parceria com empresas chinesas de tecnologia, a bateria foi projetada para alimentar equipamentos que precisam operar continuamente por longos períodos sem manutenção, como sensores industriais, instrumentos científicos, equipamentos aeroespaciais e dispositivos médicos.
Carbono-14 tem uma meia-vida de aproximadamente 5.730 anos
O grande diferencial está na durabilidade. O carbono-14 tem meia-vida de aproximadamente 5.730 anos, o que permite que a bateria mantenha sua capacidade de geração de energia por um período extremamente longo. Na prática, porém, a vida útil do dispositivo também dependerá da resistência dos demais componentes eletrônicos e do encapsulamento da célula.
Apesar da longevidade, a potência disponível ainda é bastante limitada. A Qianjiyuan Tianshu entrega apenas 1,13 microwatt (µW) de potência, nível insuficiente para alimentar smartphones, computadores ou veículos elétricos.
Ela pode durar mais de 5 mil anos, mas não vai substituir as de lítio
Essa característica direciona a tecnologia para nichos específicos, onde o consumo energético é extremamente baixo e a necessidade de substituição da bateria representa um desafio operacional ou financeiro.
Outro destaque da nova geração é o ganho de eficiência. Segundo os desenvolvedores, a bateria utiliza apenas 22% da quantidade de carbono-14 empregada na versão anterior e, ainda assim, alcança uma densidade de potência por volume 15,5 vezes maior.
Além disso, o dispositivo pode operar em condições extremas, suportando temperaturas entre -100°C e 200°C, o que amplia seu potencial de uso em ambientes industriais, espaciais e científicos.
Principal desafio continua sendo a baixa potência
Embora as chamadas baterias nucleares despertem interesse por sua durabilidade, especialistas destacam que elas não competem diretamente com as tecnologias de armazenamento voltadas à mobilidade elétrica. O principal desafio continua sendo a baixa potência de saída, que restringe seu uso a aplicações de ultrabaixo consumo.
Com os avanços na eficiência e na miniaturização, a expectativa é que esse tipo de tecnologia encontre espaço crescente em equipamentos autônomos que exigem funcionamento contínuo durante décadas, reduzindo custos de manutenção e substituição de baterias.
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