Austrália declara guerra aos patinetes elétricos ilegais

O fenômeno dos patinetes elétricos não é exclusivo do Brasil: esses veículos de mobilidade pessoal estão se espalhando pelo mundo. Mas, enquanto alguns países são permissivos, a Austrália decidiu endurecer o jogo. Autoridades locais lançaram uma estratégia de tolerância zero contra o uso ilegal e perigoso de bicicletas e scooters elétricos, especialmente entre jovens que participam de corridas clandestinas, fazem manobras arriscadas e até intimidam motoristas e pedestres.

Operação de guerra

O caso mais emblemático ocorreu na Austrália Ocidental. A polícia de Perth iniciou a operação Moorhead após receber várias denúncias sobre direção perigosa com veículos elétricos modificados. O resultado foi impactante: 25 jovens entre 11 e 18 anos detidos e 36 bicicletas e scooters apreendidos.

Escavadeiras contra patinetes

As imagens divulgadas pela própria polícia viralizaram: escavadeiras esmagando os veículos até virarem sucata. O recado é claro e duro. “A polícia de WA não tolerará comportamentos antissociais que ataquem nossa comunidade. É totalmente inaceitável”, afirmou o inspetor Scott Gillis.

E não para por aí. Em estados como Queensland e Nova Gales do Sul, as multas e apreensões se multiplicaram. As autoridades miram especialmente as chamadas “souped-up e-bikes”, bicicletas elétricas modificadas para ultrapassar os limites legais de velocidade.

Brasil enfrenta problemas de conduta

O crescimento dos patinetes e dos ciclomotores também vem sendo discutido. O grande questionamento está sendo as imprudências no trânsito e até nas calçadas. Há reclamação para todos os lados, até de quem anda e trabalha nos veículos.

São mais de 850 mil bicicletas elétricas e outros veículos leves que circulam pelo Brasil. O crescimento acelerado desse tipo de transporte, impulsionado pela busca por deslocamentos rápidos em grandes cidades, vem acompanhado de uma convivência cada vez mais tensa com pedestres, ciclistas e motoristas.

Imprudência nas ciclovias

Reportagem exibida pelo Fantástico mostrou flagrantes de imprudência em São Paulo: ciclistas atravessando cruzamentos no sinal vermelho, trafegando na contramão e circulando em velocidades acima do permitido.

Limite de velocidade burlado

Embora saiam de fábrica limitadas a 32 km/h, especialistas disseram a reportagem que muitos equipamentos são adulterados para superar esse limite. Peritos convidados pela TV mediram bicicletas circulando a 34 e até 35 km/h em ciclovias paulistanas.

Segundo o Contran, veículos que ultrapassam 32 km/h deixam de ser classificados como bicicletas elétricas e passam a ser considerados ciclomotores, categoria proibida em ciclovias e ciclofaixas.

Debate sobre regulamentação

A Prefeitura de São Paulo encerrou recentemente uma consulta pública para regulamentar a circulação de bicicletas elétricas e veículos autopropelidos. Logo, entre as propostas está a redução da velocidade máxima para 20 km/h em qualquer via da cidade.

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) defende regras claras, mas sugere que os limites variem conforme a infraestrutura: até 25 km/h em ciclovias largas e 20 km/h em pistas de mão dupla. A entidade também reforça que equipamentos acima de 32 km/h só circulam em ciclovias quando adulterados, o que exige fiscalização rigorosa.

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