Estrada de placas solares dá ruim na França

Estrada de placas solares dá ruim na França

A ideia parecia simples: aproveitar uma superfície que já existe para produzir energia sem ocupar novas áreas. Em 2016, a França colocou a proposta à prova ao instalar 2.800 m² de módulos fotovoltaicos em um quilômetro de uma rodovia em Tourouvre-au-Perche, na Normandia.

O projeto Wattway, desenvolvido pela Colas em parceria com o Institut National de l’Énergie Solaire, recebeu investimento público de aproximadamente 5 milhões de euros. A previsão inicial era produzir cerca de 280 MWh por ano, com média estimada de 767 kWh por dia.

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Na prática, a geração ficou abaixo das expectativas e o projeto enfrentou problemas relacionados ao desgaste dos módulos. Tudo por conta do excesso de tráfego, sujeira e das condições climáticas. No primeiro ano, foram produzidos 149.459 kWh. Em 2018, a geração caiu para 78.397 kWh.

Problema estava no ambiente escolhido

Uma usina fotovoltaica convencional permite otimizar a exposição ao sol, facilita a limpeza dos módulos e agiliza a substituição dos equipamentos. Na estrada, os painéis precisavam cumprir simultaneamente duas funções: captar energia e suportar o tráfego.

Pneus, peso dos veículos, vibrações, chuva, sujeira e folhas afetavam o desempenho dos módulos. A posição horizontal também reduzia as condições favoráveis à geração quando comparada a instalações fotovoltaicas projetadas para otimizar a exposição ao Sol.

O que a experiência ensinou ao setor de energia

O experimento francês acabou funcionando como um laboratório para uma questão que ganhou importância com a expansão das renováveis: onde instalar novos sistemas de geração?

A utilização de superfícies já artificializadas pode reduzir a necessidade de ocupar terrenos para novas usinas. Mas isso não significa que qualquer superfície seja economicamente ou tecnicamente adequada para receber painéis.

O próprio Departamento de Orne classificou Tourouvre como um local experimental importante para avaliar o envelhecimento dos materiais, os efeitos do tráfego e das condições meteorológicas e a evolução da tecnologia.

A experiência não encerrou o desenvolvimento

Em 2026, a Wattway informa que pretende ampliar sua atuação com sistemas fotovoltaicos circuláveis de 100 a 500 kWp, direcionados a locais como estacionamentos, aeroportos, marinas e outras áreas urbanas.

A mudança de estratégia é importante. Ou seja, em vez de transformar rodovias movimentadas em grandes usinas, a tecnologia busca superfícies nas quais a geração solar possa conviver com a circulação de veículos com menos interferência.

Portanto, a experiência francesa não colocou em dúvida a energia solar. Colocou em debate o custo e a eficiência de instalar sistemas fotovoltaicos em superfícies que não foram projetadas para essa finalidade.

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