A Cummins ampliou a atuação no processo de eletrificação do transporte comercial com uma nova geração de eixos. Os projetos foram apresentados durante as comemorações dos 70 anos da operação de Osasco (SP).
Entre os lançamentos estão os eixos MS-14X, destinados a caminhões elétricos urbanos de até 17 toneladas, e MC-17X, desenvolvido para ônibus elétricos de até 22 toneladas.
Os componentes receberam reforços para suportar o maior peso das baterias e os esforços adicionais provocados pelo torque instantâneo e pela frenagem regenerativa. O MS-14X tem produção prevista para janeiro de 2027, enquanto o MC-17X deve entrar em produção em julho do mesmo ano.
Eletrificação ajuda no menor consumo de diesel
A empresa também desenvolveu o MT-17XHE, primeiro eixo de uma nova plataforma de alta eficiência para caminhões a diesel. A tecnologia atua na redução das perdas mecânicas por meio de melhorias no sistema de lubrificação, nos rolamentos e no conjunto de engrenagens.
Segundo a Cummins, testes realizados na Europa apontaram ganho próximo de 2% na eficiência em relação à geração anterior. Em um caminhão que percorre 100 mil quilômetros por ano, o resultado pode representar uma economia estimada de cerca de 1.090 litros de diesel por ano, segundo os cálculos da empresa.
Com os novos projetos, a Cummins busca adaptar sua linha de eixos às transformações do transporte comercial, combinando soluções para a eletrificação com tecnologias capazes de melhorar o aproveitamento energético dos veículos movidos a combustão. A estratégia também reforça o papel da engenharia brasileira no desenvolvimento de produtos para as condições específicas do mercado nacional.

Como funciona o eixo eletricificado?
O eixo é o componente que recebe o torque produzido pelo motor e transmite essa força para as rodas. Nos novos projetos, a Cummins modificou o conjunto para lidar com as características dos veículos elétricos e, no caso dos modelos convencionais, para diminuir a energia perdida durante essa transmissão.
Nos veículos elétricos, o funcionamento muda principalmente por causa da frenagem regenerativa. Quando o motorista tira o pé do acelerador ou freia, o motor elétrico passa a funcionar como gerador e cria uma força de desaceleração. Essa energia retorna para a bateria, mas o processo também gera esforços elevados e em sentido inverso no diferencial. Por isso, coroa, pinhão, rolamentos e outros componentes precisam ser mais resistentes.
No caso do eixo de alta eficiência, a Cummins busca fazer com que uma parcela maior da energia do motor chegue às rodas. Para isso, há uma redução de perdas que geralmente são causadas por:
- atrito dos rolamentos;
- movimentação do óleo dentro do diferencial;
- resistência das engrenagens;
- desalinhamentos na transmissão do torque.
O resultado é que menos energia é desperdiçada em forma de calor e atrito, e mais energia é transformada efetivamente em movimento.