Decisão de antecipar termelétricas custará R$ 4,7 bi aos brasileiros

Cerâmica amplia capacidade de escoamento de energia

O bolso do consumidor brasileiro terá de encarar um novo aperto nos próximos meses. O Ministério de Minas e Energia decidiu antecipar a contratação de energia gerada por usinas termelétricas, conhecidas por serem mais caras e poluentes ob a justificativa de preparar o país para os impactos climáticos do fenômeno El Niño.

A medida, tomada com pouca clareza técnica, segundo especialistas do setor, vai custar R$ 4,7 bilhões e será repassada diretamente para a conta de luz.

Embora o país venha registrando recuo na inflação geral, a tarifa de energia segue o caminho inverso. A cobrança já havia sofrido reajustes regionais e o acionamento da bandeira amarela.

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Agora, com a entrada da energia termelétrica em setembro, o custo de produção dispara. Ou seja, diferente das usinas hidrelétricas, que aproveitam a força da água e têm custo operacional baixo, as termelétricas queimam combustíveis fósseis, como gás natural, óleo ou carvão, o que eleva exponencialmente o valor final do quilowatt-hora cobrado da população.

A decisão recente do governo é apenas parte de uma conta bilionária que vem se acumulando. Em março, um leilão de capacidade promovido pelo Poder Executivo já havia contratado diversas termelétricas por valores e volumes considerados exagerados pelo mercado. Esse leilão garantirá a transferência de mais de meio trilhão de reais dos consumidores diretamente para os cofres das empresas geradoras.

Decisão do governo vai custar R$ 4,7 bilhões e pode gerar rombo de R$ 1,5 trilhão aos brasileiros

Para complicar o cenário, o Congresso Nacional discute um projeto de lei que obriga o país a contratar termelétricas até mesmo em regiões sem reservas de gás natural ou infraestrutura de gasodutos. Disfarçada sob a forma de emenda em um projeto de incentivo à agricultura e irrigação, a medida pode injetar outros R$ 1,5 trilhão na fatura cobrada da sociedade nos próximos anos.

A falta de transparência sobre os cálculos e a necessidade real dessas contratações acendeu o sinal de alerta nos órgãos de fiscalização. O Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) abriram investigações para apurar as decisões do governo e do setor elétrico.

Contudo, enquanto a Justiça e os tribunais de contas avaliam a legalidade dos leilões e dos contratos, a cobrança já começou a chegar ao consumidor final.

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