Briga entre Brasil x Argentina: quem vence na energia?

O Brasil aumenta exportação de energia para Argentina e Uruguai

Os dois maiores países da América do Sul seguem caminhos opostos no setor energético. Messi ou Neymar, Maradona ou Pelé. O Brasil consolidou uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta. Já a Argentina vive o maior boom de produção de petróleo e gás da sua história, puxado por Vaca Muerta. Os números mostram que não existe um vencedor único. Existem duas apostas diferentes.

Brasil lidera em energia limpa

Quase 90% da eletricidade gerada no Brasil em 2024 veio de fontes renováveis. A hidrelétrica responde por 60% da geração, seguida pela eólica (17,5%) e pela solar (11,5%). A emissão média do setor elétrico brasileiro ficou em 59,9 kg de CO₂ por MWh, um dos índices mais baixos do mundo.

A dependência das chuvas é o principal ponto fraco dessa matriz. Ciclos de seca, agravados por El Niño e La Niña, colocam pressão sobre o Sistema Interligado Nacional e já geraram crises de abastecimento no passado.

Argentina aposta em petróleo e gás não convencionais

A matriz elétrica argentina é bem menos limpa. As fontes renováveis, incluindo hidrelétrica, respondem por 38,9% da geração, próximo da média mundial. A base do sistema é térmica, movida a gás natural.

O destaque argentino está no setor de hidrocarbonetos. A produção de petróleo cresceu 9,2% em 2025, superando 790 mil barris por dia. As projeções para 2026 apontam para mais de 900 mil barris diários, um recorde histórico que superaria a marca de 1998. O petróleo não convencional, extraído principalmente de Vaca Muerta, já representa cerca de 70% da produção total do país.

O setor energético respondeu por quase 70% do superávit comercial argentino em 2025. A Argentina caminha para se consolidar como exportadora líquida de energia, algo que o Brasil ainda não é de forma estrutural.

Nuclear: vantagem argentina

O Brasil opera dois reatores nucleares, Angra 1 e Angra 2, que respondem por cerca de 1% da matriz elétrica. A Argentina tem três centrais em operação (Atucha I, Atucha II e Embalse), somando 1.755 MW de potência instalada e 7,35% da geração elétrica em 2024, algo em torno de 4%.

Os números lado a lado

Parâmetro Brasil Argentina
Eletricidade de fontes renováveis ~90% ~39%
Emissões na geração elétrica Muito baixas Mais altas
Reservas provadas de petróleo Maiores Menores, em rápido crescimento
Produção de petróleo (tendência) Estável Recorde histórico em 2026
Participação nuclear na matriz ~1% ~7%
Perfil exportador de energia Limitado Crescente e estrutural
Principal vulnerabilidade Dependência de chuvas Histórico de instabilidade de investimento

Duas apostas, dois riscos

O Brasil construiu uma matriz elétrica limpa ao longo de décadas, mas segue exposto ao clima. A Argentina descobriu em Vaca Muerta um ativo que está reformulando sua balança comercial, mas mantém uma matriz elétrica mais suja e dependente de combustíveis fósseis.

Não há um vencedor absoluto. Para quem avalia sustentabilidade da matriz elétrica, o Brasil está à frente. Para quem avalia dinamismo e potencial exportador do setor de óleo e gás, a Argentina vive seu melhor momento em décadas.

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