Quem nunca teve um eletrodoméstico antigo ocupando espaço em casa? Um ar-condicionado que parou de funcionar, uma TV substituída por um modelo mais novo, um micro-ondas esquecido na área de serviço. O destino desses equipamentos ainda gera dúvida na maioria dos consumidores.
O que pouca gente sabe é que eletroeletrônicos não podem ir para o lixo comum. Além de conterem materiais recicláveis, muitos desses produtos possuem componentes e substâncias que exigem tratamento específico para evitar impactos ambientais.
Segundo Romenig Magalhães, supervisor de P&D da Gree, uma das maiores fabricantes de ar-condicionado do mundo, o descarte incorreto compromete o reaproveitamento de matérias-primas e dificulta a destinação ambientalmente correta dos equipamentos. Quando alguém descarta um aparelho de qualquer jeito, perde materiais que poderiam voltar à cadeia produtiva e expõe o meio ambiente a riscos, já que alguns componentes exigem cuidado especial na reciclagem.
Por que o ar-condicionado exige atenção redobrada
O volume de lixo eletrônico cresce em ritmo acelerado no mundo todo, impulsionado pela renovação constante de aparelhos e pela evolução tecnológica. Entre todos os eletrodomésticos, o ar-condicionado é um dos que mais exige cuidado no descarte.
Além de metais, plásticos e componentes eletrônicos, esses aparelhos têm fluidos refrigerantes que, se liberados de forma incorreta na atmosfera, contribuem para o efeito estufa. Por isso, a desinstalação e a desmontagem precisam ser feitas por profissionais qualificados e empresas especializadas nunca por conta própria.
“Um ar-condicionado envolve diferentes materiais e componentes químicos. Por isso, o descarte precisa seguir processos específicos para garantir o correto reaproveitamento dos materiais, o recolhimento seguro dos fluidos e a destinação adequada dos resíduos”, explica Magalhães.
Como descartar corretamente
A boa notícia é que as principais fabricantes de eletroeletrônicos mantêm programas de logística reversa, em conformidade com a legislação nacional, para facilitar esse processo. Antes de descartar qualquer equipamento, vale consultar os canais oficiais do fabricante para saber quais opções estão disponíveis na sua região.
No caso da Gree, a empresa mantém, em parceria com a Circular Brain, o programa Descarte Inteligente, uma solução gratuita disponível em todo o Brasil. A plataforma indica pontos de entrega voluntária (PEVs) para equipamentos menores e, para produtos com mais de 30 quilos, caso de boa parte dos ar-condicionados, e oferece coleta domiciliar gratuita, dependendo da localidade.
“A logística reversa tem o objetivo de criar uma ponte entre o consumidor e a destinação correta dos equipamentos. Quanto mais simples for esse processo, maior tende a ser a adesão da população”, afirma Magalhães.
O mais importante, segundo o especialista, é evitar que aparelhos sejam abandonados em calçadas, terrenos baldios ou junto ao lixo comum. Independentemente da marca, vale sempre verificar quais programas de recolhimento estão disponíveis, hoje existem alternativas para dar destino ambientalmente adequado a praticamente qualquer eletroeletrônico.
O papel do consumidor
Mesmo com avanços na estrutura de coleta e reciclagem nos últimos anos, a conscientização da população ainda é um dos principais desafios do setor. Muitas vezes o consumidor até quer descartar corretamente, mas não sabe por onde começar, por isso, iniciativas de orientação e programas de logística reversa são fundamentais para ampliar a participação da sociedade.
Para Magalhães, o descarte responsável é uma extensão natural do consumo consciente: escolher produtos mais eficientes é importante, mas também é preciso pensar no que acontece quando eles chegam ao fim da vida útil. O descarte adequado reduz impactos ambientais e fortalece a economia circular.




