Festa Junina sem milho não é Festa Junina. Pois é. Porém, o milho vem ganhando a importância de uma das principais commodities agrícolas do Brasil, uma vez que vem ampliando o protagonismo no setor energético. Nos últimos anos, o avanço do etanol de milho transformou a dinâmica do mercado brasileiro de biocombustíveis, impulsionado pela expansão da produção no Centro-Oeste.
Segundo Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, o etanol de milho vive um momento de forte expansão. “O custo de produção do etanol de milho é entre 20% e 30% menor que o do etanol de cana, o que estimulou o surgimento de muitas novas usinas no Centro-Oeste”.
Menor custos e tributos para fazer etanol de milho
Entre os fatores que impulsionam esse crescimento estão a grande disponibilidade de milho na região. Ou seja, há um mercado consolidado de DDG (Grãos Secos de Destilaria) para alimentação animal, acesso a biomassa de baixo custo e incentivos tributários.
Atualmente, o etanol de milho já representa quase 30% de todo o etanol produzido no Brasil. Ele contribui diretamente para a oferta. “As usinas de etanol de milho operam durante os 12 meses do ano. Isso reduz a sazonalidade de oferta e de preços que existia no passado”, explica Ono.
De acordo com o CEO da SCA Brasil, a complementaridade entre os dois modelos produtivos – cana e milho – foi fundamental para garantir o abastecimento nacional nos últimos anos.
Até 2025, muitas usinas sucroenergéticas priorizaram a produção de açúcar, diante dos preços mais atrativos no mercado internacional, abrindo espaço o etanol de milho. “Neste ano, teremos um cenário de maior competitividade entre os produtores de etanol de cana e milho”, avalia.
Do arraial ao tanque: etanol de milho ganha espaço no Brasil
No cenário internacional, o Brasil já é reconhecido como referência global em biocombustíveis e começa também a consolidar sua imagem como potência em etanol de milho. Na análise de Ono, os produtores brasileiros vêm realizando um trabalho importante de divulgação e o mercado internacional já reconhece o etanol de milho brasileiro como um combustível sustentável, com baixa pegada de carbono.
Apesar do crescimento acelerado, o setor ainda enfrenta desafios relevantes, como a ampliação do consumo de etanol hidratado em regiões sem tradição no uso do combustível, como Norte, Nordeste e Sul do país. “O setor ainda precisa ampliar o mercado externo para DDG e investir fortemente na produção de biomassa, especialmente com plantações de eucalipto em larga escala”, conclui o presidente da SCA Brasil.
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