Baterias para veículos comerciais: durabilidade e futuro

Basta você conversar com os engenheiros das principais montadoras de autos e questioná-los sobre a durabilidade, segurança e o futuro das baterias, que eles vão dizer. Elas são mais seguras do que muito motor circulando atualmente no país.  Recentemente, o Electric News participou de um seminário na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Durante o evento, a instituição apresentou um material de pesquisa explicando sobre a segurança para baterias residenciais, bem como em veículos.

Na conversa, na faculdade, foram desvendados os mistérios do incêndio que queimou o estacionamento do Aeroporto de Londres Luton, no Reino Unido, em 2023. Na época, a principal suspeita do início do fogo era por meio de um carro elétrico. Porém, os relatórios finais mostram que a principal fagulha partiu de um veículo a diesel.

No gráfico abaixo, é possível entender o caso mais no detalhe e ver que os veículos a combustão acabam espalhando o fogo mais rapidamente quando comparados com um modelo movido por eletricidade.

 

 

Portanto, na prática, mesmo que de modo trágico, é possível comprovar que as baterias são seguras e que trazem uma proposta para a longevidade. Uma empresa que integrou sistemas eletrônicos aos motores foi a BorgWarner.

Com mais de 50 anos de atuação no Brasil, a multinacional instalou uma unidade fabril em Piracicaba para produzir sistemas de baterias e atender, inclusive, à demanda de eletrificação de veículos comerciais, incluindo ônibus.

Baterias para veículos: durabilidade, segurança e o futuro da eletrificação

Adilson Victoria, Gerente de Engenharia de Manufatura e Planta da BorgWarner, detalhou para o Electric News como é o funcionamento, a vida útil e os desafios das baterias aplicadas à mobilidade elétrica, especialmente no transporte urbano. Afinal, qual é o foco das baterias produzidas pela empresa no Brasil? 

No mundo, o negócio de baterias da BorgWarner é voltado para veículos comerciais. No Brasil, o fornecimento é para ônibus elétricos, como os de passageiros da Mercedes-Benz.

Adilson Victoria, Gerente de Engenharia de Manufatura e Planta, detalhou como é o funcionamento, a vida útil e os desafios das baterias
Adilson Victoria, Gerente de Engenharia de Manufatura e Planta, detalhou como é o funcionamento, a vida útil e os desafios das baterias

Qual é a durabilidade dessas baterias?

As baterias atuais suportam, por exemplo, cerca de 4.000 a 5.000 ciclos completos de carga e descarga. Em um cenário típico, um ciclo por dia, ou seja, que equivale a aproximadamente 10 a 11 anos de uso. Esse número pode variar conforme a forma de utilização: uso agressivo reduz a vida útil; o adequado pode prolongá-la. “Hoje, os próprios contratos ou concorrências com órgãos governamentais exigem operações que deem garantia de trabalho com uma expectativa entre 8 a 12 anos”, explica Adilson Victoria, Gerente de Engenharia de Manufatura e Planta, BorgWarner de Piracicaba.

Baterias também utilizam o conceito de economia circular?

Quando o estado de saúde da bateria (SOH) cai para cerca de 75%, ela deixa de ser ideal para uso veicular e passa para uma segunda vida, geralmente em aplicações estacionárias como armazenamento de energia ou suporte a estações de recarga. Nessa segunda fase, a bateria pode ter uma vida adicional semelhante à inicial. Depois disso, segue para reciclagem.

Hoje, cerca de 95% dos componentes são recicláveis. A começar pela estrutura metálica, polímeros, componentes internos e os materiais da célula (níquel, manganês e cobalto). Ou seja, os materiais podem ser reintroduzidos na indústria, inclusive em setores como agricultura e outras aplicações industriais.

Além disso, há forte crescimento em aplicações estacionárias, como:

  • Data centers
  • Sistemas de backup (no-breaks)
  • Armazenamento de energia

“Com o avanço da inteligência artificial, a demanda por energia confiável cresce rapidamente e as baterias têm papel central nesse cenário”, acrescenta o engenheiro.

Há risco de explosão ou falhas graves, como ocorre em eletrônicos?

“Não há riscos, só uma probabilidade extremamente baixa”, garante Victoria. Ele reforça que as baterias automotivas seguem padrões rigorosos de segurança e que possuem múltiplas camadas de proteção.

Os sistemas de baterias, por exemplo, contam com uma arquitetura robusta de segurança, baseada em múltiplas camadas de proteção. Entre os principais elementos estão o sistema eletrônico de gerenciamento (BMS), responsável por monitorar continuamente parâmetros como temperatura, tensão e corrente; as proteções físicas nas células; a presença de fusíveis internos; e uma estrutura externa blindada, projetada para resistir a impactos e condições adversas.

Nesse contexto, eventuais falhas não estão associadas à tecnologia em si, mas, em geral, a fatores externos. Entre eles, destacam-se danos mecânicos decorrentes de acidentes, exposição a temperaturas extremas e uso fora das condições especificadas de operação.

Como se controla a temperatura das baterias?

As baterias operam idealmente entre -40°C e +40°C, mas suportam variações maiores. Nos veículos, há sistemas ativos de resfriamento. O fluido refrigerante (água + etilenoglicol) é semelhante ao que é utilizado para arrefecimento dos carros, mas com uma especificação adequada. Há também radiadores e compressores, bem como uma integração com o próprio sistema de ar-condicionado do ônibus. “Isso mantém a temperatura próxima de 25°C, garantindo desempenho e durabilidade”, acrescenta.

Opinião: futuro da eletrificação

A eletrificação da mobilidade, especialmente no transporte urbano, caminha para se tornar predominante nos próximos anos. A tendência é que ônibus, caminhões e demais veículos comerciais liderem essa transição. Do ponto de vista tecnológico, a evolução das baterias ocorre em ritmo acelerado. A transição entre químicas, como NMC (níquel-manganês-cobalto), com maior densidade energética, e LFP (lítio-ferro-fosfato), mais segura, barata e com carregamento mais ágil, indica um movimento de maturação da tecnologia, que tende a ampliar sua adoção.

Nesse cenário, ainda que o ritmo de implementação possa variar, a direção é clara: a eletrificação é um caminho sem volta. Experiências internacionais, como as de grandes cidades chinesas com frotas majoritariamente elétricas, indicam que o Brasil deve seguir a mesma trajetória, especialmente no transporte público.

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