Grupo movimentou R$ 418 milhões com cabos de cobre roubados

Ladrões de cobre talvez não gostem dessa história chamada nióbio

A polícia cumpriu 42 mandados de busca e apreensão e apreendeu mais de R$ 500 mil na etapa da Operação Caminhos do Cobre, na última segunda (23). Os agentes estiveram em endereços de São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Trata-se de um esforço da Polícia Civil do Rio para combater o furto de cabos e materiais metálicos, principalmente de concessionárias de serviços públicos, empresas de telefonia e TV.

Nessa nova fase, o alvo da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) foi um grupo criminoso responsável por movimentar ilegalmente quase R$ 418 milhões ao longo de cinco anos.

Um dos investigados teria movimentado R$ 97 milhões

Segundo as investigações, durante a madrugada, o grupo utilizava caminhões para retirar cabos subterrâneos, enquanto batedores em motocicletas bloqueavam vias e monitoravam a movimentação da polícia. Após o roubo, integrantes do esquema recortavam o material e o vendiam a ferros-velhos e empresas ligadas à organização criminosa.

Para mascarar as ações, o grupo emitia notas fiscais falsas e distribuía os valores obtidos em diversas contas bancárias, dificultando as investigações. Só o principal investigado teria movimentado mais de R$ 97 milhões ao longo do período. Algo incompatível com a renda declarada. Além das prisões, a Operação também faz busca e apreensão de veículos e imóveis, assim como o bloqueio de ativos financeiros.

Desde setembro de 2024, a DRF e outras delegacias realizaram mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, que fazem a receptação do produto para posterior venda a siderúrgicas, e cerca de 200 prisões. De lá para cá, foram apreendidas cerca de 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos e pedido bloqueio de R$ 240 milhões.

Do poste à fundição: o caminho invisível do cobre roubado no Brasil

O destino dos fios de cobre roubados no Brasil segue, quase sempre, um percurso rápido e difícil de rastrear. Após o furto, os criminosos fracionam imediatamente o material para facilitar o transporte e a revenda. Em muitos casos, eles retiram o revestimento plástico para comercializar o cobre como metal “limpo”, com maior valor por quilo.

Na etapa seguinte, o material entra em cadeias informais de comercialização, onde pequenos receptadores compram a sucata sem exigir comprovação de origem. Esse processo dilui a identificação do material furtado e praticamente elimina qualquer possibilidade de rastreamento.

Recicladoras e fundições legalizadas, por exemplo, recebem parte do volume, derretem o metal e o reinserem na cadeia produtiva como matéria-prima para novos cabos elétricos, componentes industriais e equipamentos eletrônicos. Em alguns casos, conforme as condições de mercado, empresas do setor chegam a exportar a sucata.

Portanto, o apelo econômico é evidente: o cobre tem alto valor agregado, liquidez imediata e ampla demanda industrial. Uma vez fundido, torna-se indistinguível de qualquer outro lote regularizado. Esse ciclo, por exemplo, alimenta um problema estrutural que impacta a infraestrutura urbana, provoca interrupções de serviços e impõe prejuízos milionários.

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