Natura inaugura planta de biometano em São Paulo

Natura inaugura planta de biometano em São Paulo

O biometano continua ganhando espaço na transição energética. Outro exemplo recente é a implantação de uma unidade de abastecimento dentro do complexo industrial da Natura Cosméticos, em Cajamar (SP).

A unidade de biometano recebeu Licença da Cetesb e funciona de forma contínua, 24 horas por dia. A estrutura instalada inclui uma Unidade de Manutenção e Vazão de Pressão com capacidade de 1.200 m³ por hora, área de estocagem com 16 cilindros de biometano (700 m³) e estacionamento de semirreboques industriais com três cilindros de 6.500 m³ cada, utilizados para alimentar uma das três caldeiras da planta.

Biometano na Natura

Com a mudança, uma das caldeiras passou a operar com 98% de biometano e 2% de GLP, substituindo o modelo anterior baseado majoritariamente em etanol. A estimativa é de consumo de cerca de 600 m³ por dia, com produção de até 3.250 kg/h de vapor para os processos industriais.

Segundo dados divulgados pela empresa, com essa mudança o biometano já representa aproximadamente 45% de toda a energia utilizada nos processos produtivos da unidade de Cajamar. O biocombustível também abastecerá 28 caminhões que realizam o transporte entre a fábrica e centros de distribuição da Grande São Paulo.

A projeção para 2026 é de consumo anual de 3,5 milhões de metros cúbicos de biometano, volume equivalente ao uso energético de cerca de 30 mil residências. A substituição da matriz energética deve reduzir até 1,3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano, impacto comparável à retirada diária de cerca de 280 veículos de passeio das ruas.

Porta-voz diz que há avanço da economia circular

“A adoção de energia limpa em processos industriais de grande escala representa um avanço concreto na energética paulista, contribuindo também, neste caso, para o avanço da economia circular. A atuação da Cetesb busca garantir que essas tecnologias avancem no estado com segurança operacional e monitoramento contínuo”, afirma Liv Nakashima, diretora de Gestão Corporativa e Sustentabilidade da Companhia.

O biometano utilizado na operação é produzido a partir da purificação do biogás gerado em aterros sanitários, transformando resíduos em fonte energética renovável. Parte dos resíduos destinados à unidade de tratamento retorna à empresa como combustível, em um modelo de economia circular.

A experiência de Cajamar reflete uma tendência crescente no setor industrial paulista de adoção de combustíveis renováveis em escala produtiva e logística, alinhada a metas corporativas de neutralidade de carbono e à agenda de descarbonização da economia.

Transportadoras também usam biometano

As transportadoras de maior renome estão buscando o biometano como forma de entregar soluções energéticas mais sustentáveis aos principais clientes. O modelo de abastecimento já está criado e o gás, proveniente de aterros ou de dejetos da agricultura, chega aos pátios das transportadoras por meio de dutos ou de cilindros.

Como há situações em que o biometano se mistura ao GNV (Gás Natural Veicular), a diferença é que um é totalmente sustentável e o outro não, é possível ter uma ideia do tamanho do negócio.

No Brasil, por exemplo, existem mais de 1.750 postos de combustíveis que comercializam GNV. Desses, 356 estão instalados em São Paulo. A frota do país é de mais de 311 mil veículos convertidos. É importante destacar que o GNV pode gerar uma economia em relação ao diesel em torno de 15%. Mas a autonomia é bem menor, em média 350 quilômetros contra quase mil.

 

As transportadoras de maior renome estão buscando o biometano como forma de entregar soluções energéticas
As transportadoras de maior renome estão buscando o biometano como forma de entregar soluções energéticas

Vai ter biometano para todos?

Para Renata Isfer, Presidente da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), o país está evoluindo, mas ainda há muito espaço para o biometano crescer.

“A gente vive um momento de sinergia entre, principalmente, as empresas que tem frota e as empresas que lidam com logística de gás, em ter, em adquirir os caminhões, e, ao mesmo tempo, viabilizar o abastecimento”, acrescenta.

Ela faz uma referência com a história de quem deve vir primeiro, o ovo ou a galinha? “O autônomo vai comprar um caminhão sem ter onde abastecer, sem saber se vai chegar ao seu destino, conseguindo abastecer e voltar para sua origem?”.

E também defende ao mesmo tempo que o dono do posto não tem incentivo, nem clientes que justifiquem a instalação do biometano para atender à pequena demanda.

“O biometano está tão em voga, porque de uma hora para outra, as pessoas viram que você tem todos os lados dessa equação com o mesmo interesse. Então, começaram essas pontas a se conectar ao invés de ficar um correndo atrás do outro num círculo que não vai, de repente está todo mundo conversando”, finaliza Renata.

A transportadora Jomed adotou o biometano em 10% da frota

A Jomed, Transporte & Logística, inaugurou um ponto de abastecimento de biometano dentro da unidade de Guarulhos (SP), em 2025.  Agora, 20 dos 200 caminhões, conseguem abastecer no ponto com biometano fornecido pela Ultragaz. As duas carretas ficam estacionadas e o abastecimento passa por conexões até chegar a pressão final. A capacidade de armazenamento é de 6.000 m³, uma média de 30 abastecimentos.

Ponto de abastecimento de biometano instalado na Jomed

Reiter Log também usa biometano

A Reiter Log, empresa de logística, uma das pioneiras em sustentabilidade, também inaugurou um ponto em Barueri (SP). Agora, além de São Paulo, a empresa tem pontos em outras três filiais. Ou seja, agora, em Nova Santa Rita (RS), Quatro Barras (PR) e Itapecerica da Serra (SP).

A empresa gaúcha se destaca pelo empreendimento de R$ 120 milhões que consiste no fornecimento de biometano a partir da estância Del Sur. Ou seja, a fazenda e a Geo Biogás & Carbon, fornecem, por meio de uma usina, biometano para abastecer os caminhões da própria companhia.

 

A Reiter Log, empresa de logística, uma das pioneiras em sustentabilidade
A Reiter Log, empresa de logística, uma das pioneiras em sustentabilidade

Biometano como modelo sustentável

Yuri Schmitke, presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (Abren) explica que o Brasil aproveita só 3% do potencial de biogás e do biometano. Ele reforça que a maior capacidade do país está no campo, na agricultura e agroindústria, e não nos aterros ou lixões.

Por fim, o executivo ilustra que o Brasil tem um “pré-sal caipira”, acrescentando que falta uma infraestrutura nacional para transporte a gás. “A gente precisa criar esses corredores verdes com vários postos e abastecimento de GNV para atendimento. Na Europa, por exemplo, há mais de 1.600 plantas de biometano, enquanto no Brasil, não existem mais do que 20”.

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