Patinetes elétricos são à prova de chuva?

Patinetes elétricos são à prova de chuva? Um leitor fez essa pergunta e ela é muito pertinente. Afinal, o verão está bem chuvoso em boa parte do Brasil. A resposta para a questão não é tão simples, uma vez que ela exige atenção a aspectos técnicos e de uso.

Patinetes elétricos operam com baterias, controladores e motores alimentados por energia elétrica, o que torna a proteção contra água um fator crítico. Em condições normais, por exemplo, modelos adequadamente projetados não devem provocar choques elétricos, mesmo sob chuva leve. No entanto, falhas de vedação, desgaste dos componentes ou uso fora das especificações podem elevar os riscos.

Onde está o perigo

O principal problema ocorre quando a água entra em contato com partes elétricas internas, como cabos, controladores ou conexões da bateria. Essa infiltração pode causar curto-circuito, falhas no funcionamento e, em situações extremas, fuga de corrente elétrica, que pode ser sentida pelo usuário ao tocar superfícies metálicas.

O risco aumenta em patinetes de baixa qualidade, sem proteção adequada contra água, ou em equipamentos que já apresentam sinais de uso excessivo, rachaduras, oxidação ou manutenção inadequada.

O papel da classificação IP

A segurança do patinete na chuva está diretamente ligada à chamada classificação IP (Ingress Protection), padrão internacional que indica o nível de proteção contra poeira e água. Modelos com IP54, por exemplo, suportam respingos leves, enquanto classificações mais altas, como IP65, oferecem maior resistência à água. Algo parecido também é usado para indicar se um celular ou relógio é resistente a interpéries.

Mesmo assim, a maioria dos fabricantes não recomenda o uso em chuva intensa, alagamentos ou poças profundas, mesmo em modelos com proteção elevada.

Cuidados recomendados

  • verificar a classificação IP do patinete antes do uso;

  • evitar circulação sob chuva intensa ou em áreas alagadas;

  • não utilizar o equipamento se houver partes expostas ou danificadas;

  • após contato com água, desligar o patinete e deixá-lo secar completamente antes de religar;

  • realizar manutenção apenas em assistências técnicas autorizadas.

Uso consciente é essencial

Embora casos de choque elétrico sejam raros, eles podem ocorrer quando o equipamento é utilizado fora das condições previstas pelo fabricante. O consenso entre especialistas é que o patinete elétrico não foi projetado para enfrentar chuva pesada, e o uso inadequado pode comprometer tanto a segurança do usuário quanto a vida útil do veículo.

Com o crescimento da micromobilidade elétrica no Brasil, o tema ganha relevância não apenas do ponto de vista do consumidor, mas também da regulamentação, da educação no trânsito e da segurança urbana.

Patinetes amarelos têm cartilha de uso

A Whoosh, multinacional líder em micromobilidade urbana, por exemplo, têm mais de 6.000 patinetes nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis.

Para Cadu Souza, diretor de operações da Whoosh, a condução responsável de modais como é primordial para que a segurança do usuário seja assegurada. Ele ressalta que os modelos da companhia, por exemplo, usam sistema de bloqueio automático para controle de velocidade.

As normas de patinetes elétricas no Brasil são definidas pela Resolução CONTRAN nº 996, que estabelece que esses veículos precisam ter um limite de até 20km/h, podem circular em ciclovias, ciclofaixas e áreas de pedestres (com velocidade máxima de 6km/h), e em vias com velocidade máxima de 40 km/h.

Porém, cada cidade tem a autonomia também de acrescentar regras específicas para a sua região. Em São Paulo, por exemplo, o tráfego nas calçadas é proibido, no Rio de Janeiro, a circulação das patinetes é proibida nas vias que são fechadas ao lazer, sendo elas de uso exclusivo de pedestres. Para a conscientização dos usuários, a empresa de mobilidade oferece treinamentos gratuitos para ensinar as boas práticas de condução.

Entre os temas tratados que também são colocados e cartilha estão:

  • É proibido o uso por menores de 18 anos
    A utilização é exclusiva para maiores de idade. Essa é uma medida de segurança fundamental, alinhada às diretrizes de regulamentação municipal e federal.
  • Não é permitido transportar mais de uma pessoa
    Os patinetes foram projetadas para suportar uma única pessoa por vez. O uso compartilhado compromete a estabilidade e aumenta o risco de acidentes.
  • Respeite o trânsito e os pedestres
    Circule com atenção, especialmente em áreas de grande fluxo. Siga as normas locais de circulação.
  • Duas mãos no guidão
    Assim como em outros veículos, é importante que as duas mãos sejam usadas na condução. Por isso, é importante que o usuário esteja sempre com as duas mãos no guidão da patinete.
  • Atenção às faixas de pedestre
    Antes de atravessar, o usuário deve descer da patinete e empurrá-la ao seu lado. Atravessar a rua somente a pé e quando as luzes dos semáforos permitirem.
  • Estacionamento virtual
    A Whoosh indica em seu aplicativo os locais corretos para estacionar as patinetes. Posicione-as apenas nos pontos “P” indicados e atente-se para colocá-las de uma forma que não atrapalhe a circulação das demais pessoas. É proibido estacionar a patinete na entrada de garagens e em vagas regulamentadas para veículos específicos.
  • Se beber não dirija
    Álcool pode comprometer o reflexo dos usuários. Por isso, é proibida a condução das patinetes após o consumo.
  • Nada de fones de ouvido
    O uso de fones de ouvido durante a condução do modal compromete a atenção e pode causar acidentes

 

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